DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS EM SUFFOLK

As obras de East Anglia ONE revelam descobertas de grande valor arqueológico em Suffolk

As escavações para as obras de soterramento do cabo que ligará o parque eólico offshore de East Anglia ONE à rede elétrica nacional britânica deixaram visíveis os elementos da Idade de Bronze, da Idade do Ferro, do período romano, do anglo-saxônico e, inclusive, do período medieval. Destacam-se, sem dúvida alguma, os restos de estradas da época neolítica, formadas por uma série de placas de madeira que datam de 2.300 A.C.

"Quando pensamos em um parque eólico offshore a primeira coisa que imaginamos não é um cenário com centenas de arqueólogos fazendo uma varredura com detectores de metais ao longo de 60 hectares de pradaria de Suffolk. Isso põe em evidência a magnitude dos esforços necessários para a criação de um projeto energético tão importante como o East Anglia ONE"— explica Joanna Young, responsável pelas relações com os Stakeholders na ScottishPower Renewables.

Trata-se de uma das maiores escavações arqueológicas de todas as existentes na Europa — empreendida pela filial britânica da Iberdrola como parte de seu pioneiro projeto de energia — e que deixou visível restos arqueológicos que proporcionam informações relevantes sobre a história do Condado de Suffolk.

"Decidimos investir em cabos subterrâneos para levar a energia gerada pelas turbinas do parque eólico offshore East Anglia ONE à rede elétrica nacional, através de uma nova estação de conversão de eletricidade em Bramford. Em vez de construir torres de rede elétrica, o projeto exige a implementação de cabos subterrâneos, estradas, rios e linhas de ferrovias ao longo de 37 km" — comenta Joanna Young.

Além de evidências de residências e locais de trabalho, foi encontrada uma grande diversidade de fragmentos de cerâmica junto a ferramentas, moedas e outras peças de grande valor arqueológico, tais como fragmentos de jarras com forma de face vidradas em verde, muito populares nas residências medievais da Inglaterra do século XIII.

"O projeto é um grande exemplo de trabalho colaborativo e eficaz entre a ScottishPower Renewables, o Conselho do Condado de Suffolk e a Wardell Armstrong, a empresa que supervisiona os trabalhos arqueológicos. Logisticamente foi um grande desafio" — reconhece Cllr. Matthew Hicks, membro do gabinete do Conselho do Condado de Suffolk para a proteção pública e do meio ambiente.

EAST ANGLIA ONE E A HISTÓRIA DE SUFFOLK

Um dos legados imprevistos do parque eólico de East Anglia ONE consistirá em ajudar a conhecer melhor a história de Suffolk. Nos últimos dois anos o grupo Iberdrola foi responsável pelos restos encontrados da Idade do Bronze, Idade do Ferro, assim como romanos e medievais, e introduziu modificações no traçado previsto para garantir que as jazidas possam ser devidamente estudadas.

Richard Newman, diretor associado da Wardell Armstrong, a empresa encarregada das escavações, afirmou que se trata de uma jazida arqueológica de grande importância internacional dado que "é muito raro encontrar restos de materiais orgânicos do período Neolítico tão bem conservados e, com o tempo, a análise dos objetos nos proporcionará informações importantes sobre a época". Newman também afirma que "alguns pedaços da madeira estão em tão boas condições que é possível observar as marcas de um aprendiz efetuadas antes que mãos artesanais mais especializadas fizessem o acabamento das peças. No início pensávamos que os postes teriam cerca de 100 anos, mas é incrível que tenham mais de 4.000 anos".

É muito raro encontrar restos de materiais orgânicos do período Neolítico tão bem conservados e, com o tempo, a análise dos objetos nos proporcionará informações importantes sobre a época

Segundo Kate Batt, do serviço arqueológico do condado de Suffolk, os restos orgânicos do Neolítico são tão raros e vulneráveis que tiveram que ser mantidos úmidos durante as escavações. "Todas as noites se fazia a inundação da área e os arqueólogos borrifavam constantemente as peças para manter a estrada empedrada em bom estado de conservação durante o trabalho de campo. A madeira e outros objetos foram enviados ao laboratório para sua análise e os principais especialistas em arte neolítica visitaram o local para completar as informações sobre a descoberta, que no devido momento serão instalados em museus locais" — confirmou Batt.

Ao todo, desde que as obras foram iniciadas, cerca de 400 arqueólogos da Archaeological Solutions (Bury St Edmunds), Archaeology Wales e Cotswold Archaeology trabalhando nas diferentes jazidas.