'RACE TO ZERO DIALOGUES'

'Race to Zero Dialogues': avançamos rumo ao objetivo comum de um mundo climaticamente neutro até 2050

#economia #mudanças climáticas #sustentabilidade ambiental

Um dos principais marcos da agenda climática do último trimestre de 2020 foi a comemoração, de 09 a 19 de novembro, dos Race to Zero Dialogues (Diálogos da Corrida para o zero). Com mais de 2 milhões de visualizações, o evento teve uma série de conferências temáticas organizadas pelos Climate Champions das Nações Unidas, contando com a participação de especialistas, representantes de instituições, ONG, organizações acadêmicas e empresas para proporcionar sua visão a fim de alcançar emissões líquidas nulas na metade do século em todos os setores da economia (energia, indústria, transporte, finanças, etc.).

Para além do Climate Champions —Nigel Toping e Gonzalo Muñoz—, os Race to Zero Dialogues foram impulsionados pelo secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, e pela secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC), Patricia Espinosa. As empresas também estiveram muito presentes nessa plataforma de diálogo, entre as quais, o grupo Iberdrola, que desempenhou um papel de destaque na área de energia e finanças e nos processos relacionados aos relatórios técnicos apresentados.

Uma parte importante da liderança e visibilidade da companhia nesse ciclo de conferências deve-se ao fato de a Iberdrola, referência internacional na luta contra as mudanças climáticas, ter sido uma das primeiras empresas que aderiu à coalizão Race to Zero, na primavera de 2020. Essa campanha mundial faz parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), sendo liderada pelos Climate Champions e pela presidência da COP. A iniciativa, que visa agrupar um número crescente de agentes, conseguiu reunir 1.100 empresas, 45 investidores, 452 cidades, 549 universidades e outros agentes da economia em torno do objetivo de emissões líquidas nulas.

PRINCIPAIS MENSAGENS DOS 'RACE TO ZERO DIALOGUES'

As principais mensagens que os participantes queriam transmitir durante o evento foram:

 A necessidade de alinhar a ação climática às medidas para avançar na recuperação, além de utilizar o multilateralismo inclusivo como base para alcançar acordos e construir parcerias em torno do objetivo de conseguir um mundo climaticamente neutro até 2050.

 A transformação rumo ao objetivo de emissões nulas não será linear, mas exponencial. É preciso aproveitar esses processos para acelerar a transição em todos os setores.

 A relação entre mudanças climáticas, qualidade do ar e saúde deve ser considerada no momento de elaborar marcos políticos, segundo a perspectiva da Organização Mundial da Saúde (OMS). A poluição do ar provoca 7 milhões de mortes prematuras todos os anos.

 Os recentes anúncios da China, Coreia do Sul e Japão, assim como a mudança na presidência dos Estados Unidos, oferecem sinais positivos para uma transição com um modelo descarbonizado em todos os âmbitos: energia, transporte, cidades, etc. A recuperação verde deve ser parte essencial de todos os planos de ação.

 Os planos de estímulo e os fundos de ação climática devem prestar uma atenção especial às cidades. Uma abordagem baseada nas cidades é fundamental para garantir uma transição justa e resiliente.

 É preciso estabelecer círculos virtuosos de ambição (Ambition loops) para que as empresas sirvam de para desenvolver políticas governamentais alinhadas com os caminhos da descarbonização previstos no Acordo de Paris.

 O Production Gap Report das Nações Unidas mostra que o mundo está a caminho de produzir 120 % a mais de combustíveis fósseis do que o necessário para estar alinhado com as trajetórias de aumento de temperatura ajustado a 1,5 ºC.

 Os objetivos para alcançar emissões líquidas nulas devem ser robustos e transparentes para evitar que acabem levando a um aumento real das emissões e não passem de um mero greenwashing. Nesse sentido, também é fundamental estabelecer objetivos para 2030 alinhados com a neutralidade climática.

VIAS DE AÇÃO CLIMÁTICA: ROTEIRO PARA CONSEGUIR EMISSÕES LÍQUIDAS NULAS

No âmbito dos Race to Zero Dialogues, os Climate Champions das Nações Unidas apresentaram as vias de ação climática para atingir o objetivo de emissões líquidas nulas até 2050 em todos os setores em âmbito global. No total, são oito roteiros setoriais (energia, indústria, transporte, assentamentos humanos, oceanos, água, soluções baseadas na natureza e no uso da terra, e resiliência) entre os quais cabe destacar os seguintes:

 Energia

A eletrificação foi definida como o principal pilar de ação, junto com o hidrogênio verde de forma complementar. O roteiro para o setor energético [PDF] inclui entre seus principais marcos alcançar uma eletrificação de 60 % da demanda final de energia em 2050 (80 % de origem renovável). O setor elétrico deveria estar totalmente descarbonizado até 2040.

O hidrogênio verde desempenha um papel importante nos setores onde a eletrificação enfrenta mais dificuldades para avançar: transporte pesado e indústria com necessidades de temperaturas altas. Propõe-se acelerar a implantação dessa tecnologia com um desenvolvimento de 25 gigawatts (GW) ao longo dos próximos cinco anos e 200 GW no horizonte do ano 2030.

 Transporte

A maior parte (85 %) da redução de emissões no setor do transporte pode ser conseguida graças à mobilidade elétrica e melhorias em termos de eficiência energética. Os 15 % restantes seriam mitigados com mudanças de comportamento, tal como intensificar o trabalho remoto ou aumentar o uso do transporte público.

Um dos marcos mais importantes do roteiro do transporte [PDF] é conseguir até 2035 que 100 % das vendas de veículos nos principais mercados (China, Europa, Japão e Estados Unidos) correspondam a veículos com emissões nulas, e alcançar esse objetivo em âmbito global até 2040.

 Indústria

O roteiro da indústria [PDF] apresenta objetivos ambiciosos no campo da economia circular, especialmente com o aumento das taxas de reciclagem nos setores do aço, alumínio e plástico.

 

Esses roteiros foram elaborados pela equipe dos Climate Champions com dados e informações de organismos internacionais e think tanks de reconhecido prestígio (AIE, IRENA, BNEF, ETC, Rocky Mountain Institute, etc.), assim como através de consultas a coalizões empresariais, ONGs, universidades e empresas, entre as quais está a Iberdrola. Foram especialmente importantes os contatos estabelecidos com a Energy Transition Commission e o World Business Council for Sustainable Development, duas organizações com as quais a Iberdrola está muito envolvida.

IBERDROLA NOS 'RACE TO ZERO DIALOGUES'

A Iberdrola teve uma importante participação nos principais ramos de atividade dessas conferências tanto em eventos de alto nível quanto no desenvolvimento de campanhas e reuniões técnicas. Alguns executivos da companhia participaram como palestrantes dos seguintes eventos:

 'Recovering Better: How Sustainable Energy Can Light the Way'

No dia 16 de novembro, coincidindo com o Dia da Energia, a Agência Internacional da Energia Renovável (IRENA) organizou o painel Recovering Better: How Sustainable Energy Can Light the Way (Por uma melhor recuperação: como a energia sustentável pode iluminar o caminho), proporcionou uma visão otimista sobre as oportunidades de tratar a recuperação da crise originada pela COVID-19 de forma paralela à ação climática. A conferência contou com a participação do diretor de Políticas Energéticas e Mudanças Climáticas da Iberdrola, Carlos Sallé, juntamente com os Climate Champions, Nigel Toping e Gonzalo Muñoz, assim como da diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, María Neira, entre outros palestrantes, que reconheceram o trabalho da companhia como um claro exemplo de compromisso com uma estratégia alinhada com os objetivos climáticos e a criação de valor..

 'Implementing a Net Zero Energy Sector Strategy'

No dia 16 de novembro o CA100 também organizou o painel Implementing a Net Zero Energy Sector Strategy (Implementar uma estratégia líquida nula para o setor energético), que contou com uma importante representação da comunidade investidora. No encontro, o diretor de Responsabilidade Social Corporativa e Reputação de Iberdrola, Roberto Fernández Albendea, apresentou o caso da companhia energética como estratégia de negócio alinhada com o objetivo de emissões líquidas nulas. O executivo ressaltou que a descarbonização é mais uma oportunidade do que um risco para a Iberdrola e explicou que a companhia adotou todas as recomendações do Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) — transparência, engajamento da Direção, etc. — e integrou em seus processos internos a ação climática como um elemento central.

 'Accelerating the transition to competitive sustainability'

No último dia 17 de novembro, o Corporate Leaders Group Europe e a Universidade de Cambridge organizaram o painel Accelerating the transition to competitive sustainability (Acelerar a transição para uma sustentabilidade competitiva), que contou com a participação do diretor de Mudanças Climáticas da Iberdrola, Gonzalo Sáenz de Miera, juntamente com representantes de empresas, universidades e governos, tais como o secretário de Estado da Indústria da Suécia e o de Economia da Finlândia. Em sua exposição, Sáenz de Miera utilizou a experiência da companhia como exemplo de estratégia que alia competitividade industrial e ação climática, destacando que o grupo tradicionalmente usa sua capacidade de inovar e implementar novas tecnologias como um instrumento para reforçar sua vantagem competitiva.

 'Sharing experiences on the race to net-zero'

No dia 18 de novembro, a WWF Scotland realizou o painel Sharing experiences on the race to net-zero (Compartilhar experiências na corrida para o zero líquido), onde o diretor de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da ScottishPower — filial da Iberdrola no Reino Unido —, Sam Gardner, analisou a relação entre a revisão dos objetivos do Acordo de Paris (NDCs, em suas siglas em inglês) e a definição dos objetivos das mudanças climáticas por parte das empresas no contexto da necessidade de avançar para emissões líquidas nulas até a metade de século.

OUTROS EVENTOS, CAMPANHAS E ANÚNCIOS

 World Climate Forum Europe

No âmbito da Semana do Clima de Londres (14-20 de novembro), que abordou principalmente a revisão dos compromissos climáticos do Acordo de Paris e a próxima COP26, nos dias 17 e 18 de novembro ocorreu o World Climate Forum (WCF) Europe, que teve como ponto central os debates energéticos. A Iberdrola colaborou para a organização deste fórum ao longo de todo o ano de 2020, proporcionando ideias para a elaboração do programa do evento. Além disso, em outubro patrocinou o World Climate Investment Summit, organizado também pelo WCF.

Em termos de energia, algumas das conclusões do WCF Europe foram:

  • É preciso estabelecer objetivos ambiciosos. Um exemplo claro é a proposta da Comissão Europeia de reduzir as emissões para 55 % em 2030. Além disso, uma vez fixado o objetivo (longo e médio prazo), é necessário desenvolver a regulamentação pertinente.
  • A eficiência energética e a eletrificação direta são cruciais para o cumprimento dos objetivos. A energia solar fotovoltaica vai ser essencial devido ao seu custo reduzido.
  • É necessário desenvolver tecnologias limpas em larga escala, fundamentalmente renováveis, o que representa um desafio. O armazenamento de energia é indispensável para avançar rumo a um modelo baseado em energias renováveis.
  • O transporte deve ser realizado através de veículos elétricos, o que exige uma infraestrutura de recarga adequada.
  • Nos próximos 10 anos será necessário adaptar 50 milhões de moradias para se adequarem aos novos usos térmicos, onde a bomba de calor desempenhará um papel essencial. Empresas, reguladores e demais agentes envolvidos deverão trabalhar juntos.
  • Estão previstos grandes investimentos em infraestruturas sustentáveis, além da otimização das existentes para um uso mais eficiente.
  • No caso dos setores mais difíceis de descarbonizar, como a indústria, a aviação ou o transporte marítimo, onde a eletrificação direta é mais complicada, o hidrogênio vai ser essencial. Esse combustível deverá ser fundamentalmente verde no futuro. Nesse sentido, a Iberdrola colocou em andamento a maior instalação de hidrogênio verde para uso industrial da Europa, e projeta 800 MW dessa tecnologia até 2027, trabalhando para liderar a cadeia de valor para o desenvolvimento do hidrogênio verde.
  • A inovação é necessária. Algumas tecnologias não estão suficientemente maduras e precisam de financiamento.
  • O setor coupling (integração dos sistemas de gás e eletricidade) pode otimizar a forma de produzir energia uma vez que reduz seu custo, além de empoderar o consumidor. A disponibilidade da flexibilidade é um dos principais pilares desse segmento.

 Informe 'Accelerating the transition to zero emissions in the power sector'

O Institutional Investors Group on Climate Change (IIGCC) apresentou o relatório Accelerating the transition to zero emissions in the power sector (Acelerar a transição para emissões líquidas nulas no setor energético), um documento que destaca o papel da utilities para cumprir o Acordo de Paris e analisa o volume de investimentos necessários para alcançar os objetivos traçados. A coalizão de investidores também enviou uma carta para 30 grandes companhias dos setores do transporte, energia e indústria para incitá-las a integrar os riscos climáticos em sua informação financeira.

 'Global Mayors COVID-19 Recovery Taskforce'

A iniciativa C40 cities lançou o Global Mayors COVID-19 Recovery Taskforce (Força-Tarefa de Recuperação dos Prefeitos Globais COVID-19) para apoiar uma abordagem verde e justa nas medidas de recuperação, baseada nos princípios do global green new deal (novo pacto verde global), que ajudará a criar 50 milhões de empregos e evitará um quarto das mortes prematuras devido à melhoria na qualidade do ar.

 Grupo de especialistas da Universidade de Oxford

A Universidade de Oxford anunciou a criação de um grupo multidisciplinar de especialistas acadêmicos para analisar e fazer propostas acerca das medidas destinadas a avançar no cumprimento do objetivo de neutralidade climática.