Entrevista com Mar Álvarez, preparadora física da Federação Espanhola de Rúgbi
Entrevista com Mar Álvarez, preparadora física da Federação Espanhola de Rúgbi
“Em breve vamos conseguir subir algumas posições no top 10 da elite do rúgbi feminino”
Mar Álvarez entrou para a Federação Espanhola de Rúgbi em 2013 e foi uma das protagonistas do campeonato europeu de 2018, por ser a única mulher na comissão técnica de uma seleção masculina.
Publicação: Janeiro de 2028
Tempo de leitura: 5 minutos
Apesar de a seleção masculina de rúgbi não ter conseguido se classificar para a Copa do Mundo de 2019 no Japão no Campeonato Europeu de Rúgbi de 2018 (REC)
Link externo, abra em uma nova aba. —algo que teria sido histórico, já que isso só aconteceu uma vez, no País de Gales em 1999—, esse foi um marco para o nosso país porque, pela primeira vez, teve uma mulher na comissão técnica.
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Mar Álvarez, preparadora física da seleção, acabou se tornando uma das protagonistas sem querer: nenhuma outra seleção contou com a presença de uma mulher na comissão técnica —houve, no entanto, algumas médicas e fisioterapeutas—. Nem nas demais seleções internacionais. “Nunca encontrei nenhuma preparadora física nos cursos da World Rugby nem em nenhuma competição de seleções”. A Mar é pioneira e, embora não pense nisso, ela reconhece que “isso me faz me esforçar ainda mais, porque é preciso abrir caminho, e eu gosto disso”.
Mar Álvarez passou a fazer parte da comissão técnica da Federação Espanhola de Rúgbi
Link externo, abra em uma nova aba. em 2013. “O técnico, Santiago Santos, escolheu-me pela minha experiência como preparadora física porque, além da minha trajetória de mais de 14 anos como jogadora e treinadora de rúgbi, eu tinha sólidos conhecimentos técnico-táticos”.
O caminho do rúgbi rumo à elite
Você conhece bem o rúgbi feminino e masculino; como eles se comparam à elite mundial?
Se seguirmos a linha de trabalho que estamos aplicando nas categorias de base da seleção — tanto no masculino quanto no feminino —, poderíamos garantir nossa presença nos mundiais. Temos um plano de desenvolvimento específico para jogadores com menos de 13 anos e outro para menores de 18 anos, que já repassamos aos clubes para que todos trabalhem na mesma linha, e já começamos a ver os resultados. O rúgbi feminino espanhol está indo muito bem: se continuarmos assim, em pouco tempo poderemos subir posições no top 10 da elite mundial, onde já estamos.
O neozelandês, o anglo-saxão, o francês... você tem algum modelo de referência?
Adoro a Nova Zelândia, é tipo a NBA do rúgbi. Lá a bola voa. Os jogadores deles são os mais habilidosos e espetaculares e, acima de tudo, são um exemplo de simplicidade e humildade. Mas cada país precisa explorar suas próprias qualidades. Não devemos copiar o modelo neozelandês, seria um erro. O rúgbi espanhol precisa explorar suas qualidades, temos que buscar nosso próprio modelo. Somos muito criativos nos esportes coletivos e o caminho do rúgbi espanhol precisa seguir o mesmo que levou ao sucesso o futebol, o basquete ou o handebol espanhol, por exemplo.
Os desafios do rúgbi espanhol e feminino
O que falta ao rúgbi espanhol e/ou aos seus jogadores para atingirem esse nível?
É muito importante dar mais visibilidade ao esporte para que ele tenha maior repercussão social, para que mais gente vá aos jogos e a torcida cresça. O rúgbi espanhol está evoluindo bastante e para melhor. A liga masculina deste ano está muito mais forte do que a anterior: tem muito mais times na parte de cima da tabela e a competitividade está aumentando. Na verdade, o tempo de bola em jogo aumentou pelo menos 20% em relação ao ano passado, e isso é muito bom para esse esporte.
E o que você acha da Liga Iberdrola de Rúgbi feminino?
Ainda temos muito espaço para melhorar e nos equiparar às ligas mais competitivas. O formato da Liga e a forma como ela é organizada estão muito aquém das grandes ligas do mundo. Na Espanha ainda não existe nenhum clube totalmente profissional, e isso fica evidente quando competimos no cenário internacional. Por isso, o apoio de empresas como a Iberdrola ao rúgbi feminino é muito importante: a nova Liga Iberdrola vai nos trazer visibilidade e precisamos aproveitar isso.
Do total de 31.692 atletas federados no rúgbi na Espanha, só 4.331 são mulheres...
O número de jogadoras federadas cresceu bastante e vai crescer ainda mais. O bom desse esporte é que, nas categorias de base, meninas e meninos competem juntos até os 16 anos, o que ajuda a melhorar o nível das jogadoras e faz com que isso se reflita na seleção, que já é competitiva no cenário internacional. O fato de nossas jogadoras se destacarem na elite vai encher os estádios, aumentar a torcida e, consequentemente, o número de jogadoras.

