PAÍSES MAIS AFETADOS PELAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Quais são os países mais ameaçados e vulneráveis pelas mudanças climáticas?

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O instituto Germanwatch apresentou os resultados do Índice Global de Risco Climático (IGRC) 2020 durante a COP25 de Madri. Conforme esta análise, baseada nos impactos dos eventos climáticos extremos e nas perdas socioeconômicas que provocam, Japão, Filipinas e Alemanha são os lugares atualmente mais afetados pelas mudanças climáticas.

Nas últimas semanas do 2019, temos visto um país inteiro queimando-se (Austrália) que, em só quatro meses, perdeu 8,4 milhões de hectares, mais de 1.300 moradias, 27 vidas humanas e, conforme estimativas da Universidade de Sidney, cerca de 1 bilhão de animais: tudo isto por um dos piores incêndios da sua história. Quem são os culpados? A seca extrema e o intenso calor causados nesta região pelas mudanças climáticas.

O QUE É O IGRC (ÍNDICE GLOBAL DE RISCO CLIMÁTICO)

O risco climático é um conceito que reflete a vulnerabilidade dos países diante das consequências diretas — mortes e perdas econômicas — dos fenômenos meteorológicos extremos, e que é medido anualmente pelo observatório alemão Germanwatch com o Índice Global de Risco Climático (IGRC). Episódios como o mencionado da Austrália, e outros similares, lembram-nos que algumas áreas do planeta estão mais expostas do que outras aos impactos resultantes da mudança climática.

O IGRC 2020 foi apresentado em Madri durante a última Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP25 Chile) e determina quais são os 10 países atualmente mais afetados pelas mudanças climáticas — tomando como base os acontecimentos de 2018 —. A seguir os revisaremos:

1. JAPÃO (IGRC: 5,5)

 As fortes chuvas, a onda de calor, o terremoto de Osaka e o tufão Jebi, que devastaram o Japão em 2018, tornaram o país o mais ameaçado do mundo pelas mudanças climáticas. No total, a meteorologia foi a causadora de 1.282 mortes no país — 1,01 por cada 100.000 habitantes — e ocasionou perdas econômicas por um valor de 35,839 bilhões de dólares e uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 0,64%.

2. FILIPINAS (IGRC: 11,17)

 A passagem do tufão Mangkhut pelas Filipinas em 2018 afetou mais de 250.000 pessoas em todo o país, deixando pelo menos 59 falecidos pelas chuvas torrenciais. Segundo o observatório Germanwatch, os fenômenos extremos provocaram nesse mesmo ano no país 455 mortes — 0,43 por cada 100.000 habitantes — e mais de 4,54 bilhões de dólares de perdas econômicas e uma queda do PIB per capita de 0,48%.

3. ALEMANHA (IGRC: 13,83)

 O pais alemão está no terceiro lugar do ranking de países mais afetados pelo risco climático devido à onda de calor de 2018: o ano mais quente da sua história com danos no setor agrícola de mais de 3,5 bilhões de dólares. Na totalidade, a meteorologia causou 1.246 mortes — 1,5 por cada 100.000 habitantes —, perdas por um valor de 5,038 bilhões de dólares e uma redução do PIB per capita de 0,12%.

4. MADAGASCAR (IGRC: 15,83)

 O aquecimento global e os riscos climáticos ameaçam a sobrevivência do lêmure e de outras espécies animais endêmicas da ilha. Além disso, os fenômenos adversos converteram o país africano num dos mais vulneráveis no tocante às mudanças climáticas com 72 mortes — 0,27 por cada 100.000 habitantes —, cerca de 568 milhões de dólares em perdas econômicas e uma queda do PIB per capita de 1,32%.

5. ÍNDIA (IGRC: 18,17)

 O subcontinente indiano é outro dos grandes danificados pelo calor extremo, pelas inundações e pelas tempestades de areia, entre outras catástrofes naturais devastadoras. Em 2018 provocaram mais de 2.000 mortes — 0,16 por cada 100.000 habitantes —, perdas por um valor de 37,807 bilhões de dólares e uma diminuição do PIB per capita de 0,36%.

6. SRI LANKA (IGRC: 19)

 Este pequeno país do Golfo de Bengala poderia perder uma parte importante da sua população pelas migraciones climáticas no futuro. Além disso, em 2018 a meteorologia causou em Sri Lanka 38 mortes — 0,18 por cada 100.000 habitantes —, mais de 3,625 bilhões de dólares em perdas e uma queda do PIB per capita de 1,24%.

7. QUÊNIA (IGRC: 19,67)

 O país africano é outro dos mais vulneráveis em termos de mudanças climáticas pelas secas de 2018 que, meses depois, deixaram mais de um milhão de pessoas à beira da fome. No total, a climatologia hostil desse ano no Quênia foi responsável pela morte de 113 pessoas — 0,24 por cada 100.000 habitantes —, por perdas de mais de 708 milhões de dólares e uma queda do PIB per capita de 0,4%.

Os 5 países mais afetados pelas mudanças climáticas no século XXI.#RRSSOs 5 países mais afetados pelas mudanças climáticas no século XXI.

 VER INFOGRÁFICO: Os 5 países mais afetados pelas mudanças climáticas no século XXI [PDF]

8. RUANDA (IRC: 21,17)

 Este pequeno país africano, afetado durante a última metade do século por períodos de fome e conflitos armados, é um dos mais vulneráveis ao aquecimento global e episódios climáticos extremos. Em 2018, causaram 88 mortes — 0,73 por cada 100.000 habitantes, danos econômicos por um valor de 93,2 milhões de dólares e uma redução do PIB per capita de 0,34%.

9. CANADÁ (IGRC: 21,83)

 Talvez seja surpreendente ver este gigante entre os lugares mais afetados pelas mudanças climáticas. Porém, um estudo governamental sugere que o Canadá está se aquecendo duas vezes mais rápido que o resto do planeta. Além disso, em 2018 a meteorologia causou 103 mortes — 0,28 por cada 100.000 habitantes —, 2,282 bilhões de dólares em perdas e uma queda do PIB per capita de 0,12%.

10. FIJI (IGRC: 22,5)

 Este arquipélago paradisíaco situado na Oceania fecha o ranking de países mais afetados pelas mudanças climáticas. Em 2018, sofreu um terremoto de 8,2 na escala Richter. Isto, unido aos ciclones, faz com que o país viva em constante reconstrução. Oito mortos em 2018 pelos fenômenos extremos — 0,9 por cada 100.000 habitantes —, perdas de quase 120 milhões de dólares e uma redução do PIB per capita de 1,14% é o balanço que oferece o estudo.