O QUE É UM INTRAEMPREENDEDOR

Intraempreendedores: o talento joga em casa

Quando as empresas buscam talento, tendem a olhar para fora. Mas, e se esse talento estivesse em seu próprio escritório? Por falta de mecanismos para identificá- los, por desconfiança das estruturas internas ou por resistência em mexer na hierarquia, inúmeras empresas não fomentam o desenvolvimento de ideias nos seus colaboradores.

Van der Sar, Reiziger, Seedorf, Litmanen, Overmars, os irmãos De Boer.... Se você gosta de futebol, com certeza, você conhecerá alguns desses nomes. Em 24 de maio de 1995, o Ajax se apresentou no Ernst Happel de Viena para disputar a final da Champions League com todas as apostas contra o time. O adversário era o todo-poderoso Milan. O time do Ajax se destacava por dois aspectos: a incrível juventude de seus jogadores — a idade média dos jogadores que entraram em campo naquele dia era de apenas 24 anos — e que a maioria deles vinha do centro de formação do clube, mais conhecido como A Academia. Aos 85 minutos de jogo, um rapaz de apenas 18 anos e que atendia pelo nome de Patrick Kluivert marcou o gol da vitória. A equipe holandesa apostou na juventude e no talento interno, e o resultado foi um grande sucesso.

Atualmente, cada vez mais empresas seguem o modelo daquele já mítico time e recorrem ao pessoal interno para desenvolver sua inovação, sua criatividade e seu empreendimento. Como resultado, eles estão apostando na figura do intraempreendedor — ou empreendedor corporativo. O estudo Corporate Venturing Shifts Gears, elaborado pela empresa de consultoria norte-americana Boston Consulting Group, certifica esse cenário. O relatório revela que 40% das 30 maiores empresas norte-americanas já aplicam programas de intraempreendedorismo.

Em 1985, Gifford Pinchot, pai do termo intraempreendedor, definiu em seu livro Intrapreneuring como "alguém capaz de agir como um empreendedor com o apoio de sua empresa, descobrindo, avaliando e explorando novas oportunidades de negócios". A lição era que o talento da casa pode, adequadamente potencializado e reconhecido, ter ideias disruptivas. É aí que reside a diferença entre o empreendedor e o intraempreendedor. O intraempreendedor implementa projetos sob o guarda-chuva da empresa para a qual trabalha. A principal vantagem para ele é ter uma infraestrutura e, portanto, nunca começar do zero, o que reduz tanto o custo quanto o risco.

O PERFIL DO INTRAEMPREENDEDOR

Como é um intraempreendedor? Em linhas gerais, são empregados muito envolvidos com seu trabalho, ou seja, pessoas que colocam seu entusiasmo a serviço da empresa e que se sentem felizes de serem reconhecidas por isso. Eles também costumam ser generosos com seus esforços e em seus relacionamentos com as equipes, ajudando a encorajá-la de forma significativa. Você vai reconhecê-los por suas características. Abaixo, listamos algumas delas:

 Paixão. Sua motivação e seu compromisso permitem manter um alto nível de desempenho.

 Iniciativa. Não se limitam às suas tarefas, mas tentam ir um passo à frente. Além disso, assumem responsabilidades no momento de tomar decisões e dirigir equipes.

 Perseverança. Não se rendem facilmente e encontram sempre a forma de seguir em frente.

 Segurança. Eles têm determinação e confiam em suas habilidades e capacidades para alcançarem o sucesso.

 Criatividade. Eles são flexíveis, o que faz com que eles experimentem coisas novas e, como resultado, descobrem soluções inovadoras.

COMO FOMENTAR O INTRAEMPREENDEDORISMO?

Após identificar o talento, o primeiro passo é incentivá-lo e deixar claro que a empresa vai usar seu potencial para que ambos cresçam. Quid pro quó. Em outras palavras, agradecer sua contribuição com algo a mais do que um "tapinha nas costas" e algumas palavras bonitas. Isso passa por atribuir novas responsabilidades, dar espaço de manobra e uma remuneração e categoria à altura. Também é importante que seja dada a possibilidade de errar, pois são com os erros se aprende.

As principais atividades de inovação corporativa que apoiam as empresas são aquelas que têm a ver com o desenvolvimento de novos produtos, processos ou modelos de negócio. Um relatório sobre empreendimento corporativo elaborado pela Deusto Business School estabelece uma série de recomendações para a implantação de programas de empreendedorismo corporativo nas empresas:

  • Envolver os órgãos de direção na estratégia de inovação corporativa.
  • Incluir os objetivos da política de empreendedorismo corporativo nos planos estratégicos.
  • Assumir que a inovação corporativa só se torna uma aposta segura no longo prazo.
  • Criar programas que se ajustem à empresa e fugir das fórmulas padrão.
  • Contar com pessoas que tenham conhecimento de entrepreneurship para avaliar, acompanhar e integrar adequadamente os intraempreendedores.
  • Criar uma cultura corporativa que fomente o talento e o surgimento de intraempreendedores.
  • Estimular a participação de programas de intraempreendedorismo.

A revista MIT Sloan, publicada pelo Massachusetts Institute of Technology, estabeleceu quatro modelos de empreendedorismo corporativo para as empresas em função de sua atitude em relação a esse tipo de iniciativa:

  • Ativador. A empresa oferece fundos a um executivo sênior e monitora seus projetos futuros.
  • Produtor. A empresa cria e apoia uma equipe dedicada exclusivamente ao desenvolvimento de projetos relacionados ao empreendedorismo corporativo.
  • Oportunista. A empresa não tem um foco para empreendedorismo corporativo. Pontualmente, monta redes internas ou externas para as quais aloca recursos.
  • Defensor. A empresa evangeliza fortemente para o empreendedorismo corporativo e oferece financiamento desde o primeiro momento.

Como um intraempreendedor contribui?#RRSSComo um intraempreendedor contribui?

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BARREIRAS AO INTRAEMPREENDIMENTO

A implementação de uma estratégia de empreendedorismo corporativo em uma grande empresa não é uma tarefa fácil. Além das dificuldades associadas a qualquer projeto — escassez de talento empreendedor, cenários de incerteza e mudanças, assimetrias de informação etc. — há uma série de barreiras internas que pode frustrar os esforços feitos nessa direção. Barreiras a nível estratégico, quando existe uma falta de alinhamento entre os diferentes departamentos; a nível cultural, quando as pessoas que tomam as decisões têm aversão a riscos; a nível de procedimento, quando qualquer processo parece durar para sempre; e a nível estrutural, quando as hierarquias são rígidas e dificultam a promoção de novos talentos. A sobrevivência e o crescimento das empresas dependem, em boa parte, de sua capacidade de identificar novas oportunidades. E é aí onde a figura do intraempreendedor tem muito a contribuir.
 

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