A ROBOTIZAÇÃO E AS HABILIDADES HUMANAS

O valor da emoção diante da robotização

Em duas décadas — pode ser que menos —, os robôs farão muitos dos trabalhos desempenhados pelos humanos. Mas, antes de ligar os alarmes, vamos ouvir os especialistas. Eles apontam que, na disputa homem-máquina, o ser humano conta com uma vantagem competitiva: a inteligência emocional.

O IMPACTO DA ROBOTIZAÇÃO NO TRABALHO

Os robôs já estão aqui e, embora ninguém saiba com certeza absoluta o impacto da robotização no trabalho dentro de algumas décadas, existem dados que oferecem algumas pistas. Por exemplo, um relatório da Mckinsey Global publicado no final de 2017 afirma que, até 2030, 800 milhões de trabalhadores poderiam perder seus trabalhos para os robôs. É fato que inúmeras atividades atualmente desenvolvidas pelos humanos são potencialmente automatizáveis. Quais? As mais físicas, mecânicas e repetitivas. Os setores mais afetados serão os de fabricação, transporte e logística. Mas isso é apenas um lado da moeda.

Na outra, nos deparamos com duas certezas. A primeira é que surgirão inúmeros empregos, em contraposição aos perdidos. Em 2018, o relatório The Future of Jobs, elaborado pelo World Economic Forum, apontou os perfis mais emergentes: analista de dados, especialista em Inteligência Artificial, desenvolvedor de software, entre outros. A segunda tem a ver com o que diz James Timbie, acadêmico da Universidade de Stanford: "Muitos trabalhos rotineiros serão gradualmente assumidos pelas máquinas, deixando as tarefas mais complicadas para os humanos que têm habilidades interpessoais." Portanto, os trabalhos que permanecerão nas mãos do ser humano serão aqueles que exijam habilidades, mas que, por enquanto, não estão ao alcance das máquinas. Falamos de áreas como educação, saúde ou arte.

AUTOMATIZAÇÃO, ROBÓTICA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O que queremos dizer quando falamos de automatização, robótica e Inteligência Artificial? A automatização é a utilização de um software que estabelece e segue passos pré-programados para automatizar uma tarefa. A robótica é um ramo da engenharia mecatrônica que, basicamente, se encarrega de projetar e construir robôs. Já a Inteligência Artificial é a simulação de processos de inteligência humana por parte de máquinas.

A combinação dessas três disciplinas marcará o futuro do mundo do trabalho, mas é a Inteligência Artificial, talvez por influência de obras literárias e cinematográficas de ficção científica, que nos faz pensar inevitavelmente em uma gradual substituição da mão de obra humana por humanoide. O pesquisador do MIT, Joseph Paradiso, acha que é difícil que aconteça algo assim e se apega a uma das habilidades inerentes ao ser humano para justificar: "A criatividade é uma capacidade humana que provavelmente as máquinas nunca poderão desenvolver totalmente. Portanto, será uma das áreas com mais oportunidades de trabalho no futuro."

As 'soft skills' mais demandadas.#RRSSAs 'soft skills' mais demandadas.

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AS HABILIDADES INTERPESSOAIS COMO VANTAGEM COMPETITIVA

Nesse contexto, e assim como Timbie aponta, as habilidades interpessoais se apresentam como uma clara vantagem competitiva diante da robotização no mundo do trabalho. Isso foi endossado pelo World Economic Forum (WEF) no final de 2017: "Todas as indústrias demandarão mais habilidades sociais do que habilidades técnicas." Essas habilidades, também conhecidas como soft skills — ou habilidades moles —, são as que têm a ver com a inteligência emocional, ou seja, com a capacidade de gerenciar de forma eficaz nossas emoções, reconhecer as dos outros e estabelecer relacionamentos positivos com outras pessoas. Falamos de criatividade, colaboração, flexibilidade, negociação e outras habilidades que, aplicadas ao mundo do trabalho, se traduzem em pessoas capazes de encontrar as melhores estratégias para alcançar o sucesso.

O reconhecimento dessas habilidades atinge agora seu pico, mas já eram valorizadas antes de a robotização ter sido tangível, como comprovam diferentes estudos. Isso foi demonstrado, por exemplo, pelo estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa de Stanford e pela Fundação Carnegie Mellon em 2008. Os 500 CEOs consultados garantiram que 75% do sucesso no trabalho de longo prazo será devido às 'soft skills' e só 25% às habilidades técnicas. Em 2011, uma pesquisa elaborada pela Career Builder entre responsáveis por departamentos de RH ratificou a percepção dos diretores. Os dados, que descreveremos a seguir, refletem uma tendência que, atualmente, persiste nos processos de seleção: valorizar o desempenho social de seus futuros trabalhadores tanto quanto seus conhecimentos técnicos.

  • 71% dos pesquisados afirmaram que valorizavam a inteligência emocional de um empregado acima de outros atributos, incluindo o quociente intelectual (QI).
  • 75% disseram que era mais provável oferecer uma promoção a um trabalhador com alto nível de inteligência emocional.
  • 59% garantiram que descartariam um candidato com um coeficiente de inteligência alto, mas com pouca inteligência emocional.

Esses dados não são fruto do acaso. Está comprovado que os empregados com altos níveis de inteligência emocional cooperam mais com seus colegas, gerenciam melhor o estresse do dia a dia, resolvem mais facilmente os conflitos de trabalho e aprendem com seus erros. A inteligência emocional se torna assim o último grande bastião do ser humano diante da robotização.
 

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 Impressão 4D, a Quarta Revolução Industrial(*) Nota

   

(*) Disponível na versão em espanhol.