CONSEQUÊNCIAS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Kiribati, o primeiro país que será engolido pelas mudanças climáticas por conta do aumento do nível do mar

O aquecimento global está causando o derretimento das geleiras e de grandes massas de gelo. O nível médio do mar subiu em média 3,2 mm/ano desde 1993. Trata-se de um fenômeno catastrófico para as ilhas e regiões costeiras. Sobretudo, para lugares como Kiribati, um idílico país com atóis de coral do Pacífico que acabará engolido pelas águas em virtude das mudanças climáticas.

O típico cartão-postal do paraíso. Um grupo de 33 atóis de coral no Pacífico Central, entre o Havaí e a Austrália. Casas construídas sobre estacas na praia. Doze palavras diferentes para designar os cocos de acordo com sua maturação. Apanhadores de moluscos, vestidos com canga, trabalhando com a maré baixa. Falamos de Kiribati, o primeiro país que começa a ser engolido pelas águas em consequência das mudanças climáticas. O aquecimento global está derretendo as calotas polares, as geleiras e as camadas de gelo que revestem a Groenlândia, provocando o aumento do nível dos oceanos. Calcula-se que a elevação média do nível do mar foi de 3,2 mm por ano desde 1993, como apontado pelo Quinto Relatório de Avaliação do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC, 2018).

Trata-se de um fenômeno catastrófico para muitas regiões costeiras, e especialmente para lugares como Kiribati, cujo território não está, em caso algum, a mais de dois metros acima do nível do mar —exceto pela ilha vulcânica de Banaba.

A ÁGUA: DE ALIADA A INIMIGA

Metade dos mais de 100.000 habitantes de Kiribati vivem na capital, Tarawa do Sul, uma estreita faixa de terra entre o Pacífico e uma enorme lagoa interior que depende de água doce. A vida dos kiribatianos sempre girou em torno da água. Ela os rodeia e configura seu horizonte. As crianças brincam na água desde muito cedo. Dela, eles obtêm os alimentos que colhem, pescam e plantam. No entanto, agora, eles observam atônitos que marawa — mar em seu idioma — se volta pela primeira vez contra eles.

Um relatório da ONU sobre o efeito estufa, publicado em 1989, já apontava Kiribati como um dos países em risco, devido ao aumento do nível das águas. Dez anos depois, duas de suas ilhas desabitadas, Abanuea e Tebua Tarawa — esta última utilizada por pescadores —, desapareceram sob as ondas. Atualmente, a marulhada ciclônica e as fortes tempestades fazem com que, cada vez com mais frequência, o mar invada a terra, polua as reservas de água doce, mate os cultivos (devido à salinização) e inunde as casas.

Isolados dos problemas do mundo, as pessoas de Kiribati nunca tinham pensado que poderiam se tornar as primeiras vítimas das mudanças climáticas. Responsáveis por 0,6% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, os kiribatianos pediram publicamente para incrementar políticas e iniciativas que reduzam as emissões poluentes. Seu ex-presidente, Anote Tong, está há uma década percorrendo o mundo para alertar sobre o problema de sua nação e tentar encontrar soluções para uma catástrofe anunciada.

HÁ FUTURO PARA KIRIBATI?

Alguns kiribatianos já começaram a emigrar, diante de uma situação que consideram insuperável. Outros relutam em deixar sua terra e buscam soluções temporárias: constroem muros de rocha coral que são derrubados pela maré alta, alguns povoados se deslocaram alguns metros para o interior, plantam manguezais para proteger o solo contra a erosão e mitigar as agitadas marés...Segundo as previsões, o atol de Tarawa será inabitável dentro de uma geração.

Também foi levantada a possibilidade de construir uma enorme plataforma flutuante — semelhante às utilizadas pelas empresas petrolíferas — ou diques temporários de reforço. No entanto, ambas as opções foram descartadas devido ao elevado custo: a plataforma custaria cerca de 2 bilhões de dólares, enquanto o PIB de Kiribati não chega a 200 milhões.

A partir de uma perspectiva mais realista, nos últimos anos, o governo kiribatiano comprou terrenos nas ilhas Fiji para dedicá-los aos cultivos (frente à ameaça que as plantações do país sofrem) e para ter um lugar para evacuar toda a sua população em caso de emergência. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial elaborou relatórios pedindo que Austrália e Nova Zelândia acolham os deslocados climáticos de Kiribati e de outras ilhas do Pacífico ameaçadas pelas águas. Até o momento, só o Governo neozelandês respondeu às necessidades dos kiribatianos, colocando à sua disposição 75 empregos por ano.

A realidade é que não estamos diante de um problema endêmico do Pacífico. Kiribati pode ser apenas a primeira peça a cair no dominó planetário. Se as camadas de gelo que revestem a Groenlândia derreterem totalmente, o nível do mar se elevaria aproximadamente sete metros, e cidades como Londres ou Los Angeles ficariam parcialmente sepultadas sob as águas.
 

 As mudanças climáticas aceleram a sexta extinção

 Compartilhamos a necessidade de avançar para um cenário de 1,5 ºC com políticas robustas(*) Nota

 O grupo Iberdrola, uma referência mundial na luta contra as mudanças climáticas

   

(*) Disponível na versão em espanhol.