Como o plástico chega ao mar e o que podemos fazer para evitá-lo
Dos rios ao oceano: como o plástico acaba no mar?
A cada ano, as toneladas de plástico que inundam nossos oceanos continuam aumentando, causando danos incalculáveis aos ecossistemas marinhos. Diante dessa crise, é urgente nos perguntarmos: como eles chegam até lá? Qual é o impacto real sobre a natureza? E, acima de tudo, que medidas podemos tomar como cidadãos, empresas e governos para conter esse problema? A seguir, analisamos essas questões.
O plástico já é o resíduo mais recolhido pela ONG ambiental Ocean Conservancy em suas jornadas anuais de limpeza de praias e costas. Desde 1986, eles mobilizam milhares de voluntários em todo o mundo e, conforme o relatório The Beach and Beyond 2019, que resume sua atividade, o Top 10 do lixo recolhido está formado somente — e pela primeira vez em 30 anos — por objetos de plástico como pontas de cigarro, embalagens e canudinhos descartáveis, que podem demorar até 500 anos para se descomporem.
Como e porque o plástico acaba no mar?
A poluição dos oceanos começa quase sempre na nossa lixeira. A cada ano, enormes quantidades de plástico continuam chegando ao mar, enquanto a produção global segue crescendo até atingir 430 milhões de toneladas em 2024, das quais a imensa maioria acaba sendo incinerada ou espalhada por aterros sanitários e pelos locais mais improváveis do planeta, como é o caso do abismo Challenger no fundo marinho.
A maior parte destes resíduos abandonados termina nos mares, onde as ondas e o vento os descompõem até convertê-los em fragmentos diminutos conhecidos como microplásticos. Estas partículas de menos de 5 mm ficam presas dentro dos giros oceânicos, formando grandes manchas de lixo flutuante como a do Pacífico Norte, a maior do mundo, com 1,6 milhão de km2 e 80.000 toneladas de peso.
Se estes polímeros são descartados a milhares de quilômetros dos oceanos, como é possível que terminem flutuando neles? O oceanógrafo neozelandês Laurent Lebreton sugeriu em dois estudos publicados pela revista científica Nature em 2017 e 2019 que os rios, especialmente os maiores e mais poluídos, são determinantes na chegada de plásticos ao mar, pois arrastam, conforme se estima, entre 1,1 e 2,4 milhões de toneladas anuais.
Lebreton inclui também a sujeira das praias, a pesca, a aquicultura e o tráfego marítimo entre as causas que explicariam como o plástico chega ao mar. Não é em vão que os resíduos procedentes dos barcos signifiquem quase a metade dos resíduos encontrados até a data presente na ilha de plástico do Pacífico Norte, tal como garante um estudo recente publicado pela Nature. As águas residuais, o vento, a chuva e as inundações também levam o plástico terrestre até os oceanos, especialmente aqueles de um só uso — sacolas, canudinhos, cotonetes de algodão ou embalagens — que, ao serem mais leves, voam para a costa ou entram na rede fluvial até chegarem ao mar.
Do consumo ao oceano: o caminho do plástico
O plástico que usamos diariamente segue um caminho invisível que raramente levamos em conta: surge dos combustíveis fósseis, se transforma em produtos de vida útil muito curta e, quando não é gerenciado adequadamente, pode acabar em rios e oceanos.
Consequências do plástico nos oceanos
Desastres como a degradação do ecossistema e a exposição da flora e da fauna a substâncias químicas — mais de um milhão de animais morrem a cada ano ao confundir o plástico com alimento — são apenas algumas das consequências da presença do plástico em rios e mares. Além disso, nossa saúde também pode ser prejudicada por esse polímero, já que o ingerimos por meio do sal de cozinha e de outros alimentos. O PNUMA estima em cerca de 13 bilhões de dólares anuais o custo dessa catástrofe ecológica. A seguir, explicamos em detalhes outros impactos que a presença desse produto causa em nossos oceanos:
Principais vias fluviais de entrada de plástico no oceano
Vários estudos identificaram um grupo de grandes rios, principalmente na Ásia e na África, como as principais vias fluviais de entrada de plástico no oceano. No entanto, segundo a Fundação Aquae, isso é muito difícil de medir, já que grande parte desses plásticos acaba se degradando ao entrar em contato com a água, o sol e as bactérias, transformando-se em microplásticos que são muito difíceis de rastrear. Apesar disso, existem alguns rios que apresentam altos níveis de poluição:
1. Rio Yangtzé (Ásia):
Este rio da China é o maior do continente asiático e leva 330 milhões de quilos anuais de lixo ao mar.
2. Rio Ganges (Ásia):
O rio sagrado para o hinduísmo arrasta 120 milhões de quilos anuais de resíduos plásticos ao mar depois de passar pela Índia e por Bangladesh.
3. Rios Xi, Dong e Zhujiang (Ásia):
O rio Zhujiang e seus dois afluentes (Dong e Xi) estão na terceira posição com 106 milhões de quilos de plástico anuais.
4. Rio Cross (África):
Este rio costeiro, que percorre os Camarões e a Nigéria, arrasta mais de 40 milhões de quilos anuais de plástico.
5. Rio Brantas (Ásia):
Este rio da Indonésia é o mais longo da província de Java Oriental e leva cada ano ao mar 38 milhões de quilos de plástico.
Fonte: Nature.
Rio Yangtzé
Rio Ganges
Rio Zhujiang
Quanto plástico é posto no mar?
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2026, o oceano recebe anualmente 11 milhões de toneladas de plástico e, até 2040, estima-se que esse número possa chegar a 37 milhões, o equivalente a despejar um caminhão de lixo no oceano a cada minuto. O Fórum Econômico Mundial (WEF) vai mais além e prevê que com este ritmo, em 2050, poderíamos ter mais toneladas de plástico que peixes nos oceanos. A maior parte de descargas de plástico ao mar provém da Ásia, mais concretamente de países como China, Indonésia, Filipinas e Vietnã, os quatro primeiros de uma lista feita pela equipe de Jambeck.
Soluções para conter o fluxo de plástico para o mar
O que você pode fazer?
Como cidadãos, podemos contribuir para a redução da poluição causada por resíduos plásticos no meio ambiente com práticas cotidianas tão simples quanto estas:
O papel da Iberdrola no combate à poluição marinha
A poluição dos oceanos causada pela presença de plástico é um problema global que exige a ação conjunta de pessoas, empresas e governos, com o objetivo de elaborar estratégias para reduzir os danos aos nossos ecossistemas. Por isso, o Grupo Iberdrola busca minimizar a emissão de gases de efeito estufa e alcançar a neutralidade de carbono, por meio de diversas iniciativas que vão desde nosso Plano de Biodiversidade 2030 — no qual buscamos contribuir com uma perspectiva de conservação (evitar, reduzir, restaurar e compensar impactos) —, até processos como a eletrificação e a descarbonização, com o objetivo de reduzir o uso de combustíveis fósseis e apostar em uma economia mais sustentável.
Entre essas estratégias, está prevista a mitigação da poluição por plásticos nos oceanos com projetos como o East Anglia One, no qual promovemos a instalação de dois contêineres flutuantes que servem para coletar o plástico e parte dos óleos, detergentes ou combustíveis que flutuam nas proximidades do porto de Lowestoft. Outro projeto de especial importância é o New England Wind, no qual são seguidos alguns protocolos para minimizar os impactos do ruído submarino sobre a fauna marinha, especialmente mamíferos e tartarugas, com o objetivo de garantir seu bem-estar.
Além de realizar projetos sustentáveis, também nos concentramos em buscar soluções inovadoras para continuar preservando nossos ecossistemas por meio do programa de start-ups PERSEO, um programa de inovação aberta com start-ups criado para o desenvolvimento de tecnologias e modelos de negócios que promovam a sustentabilidade da empresa.



















