O plástico nos oceanos
Plástico nos oceanos, um problema que chega às profundezas do oceano
O plástico conseguiu chegar ao ponto mais profundo do planeta: o abismo Challenger, situado a 11.000 metros de profundidade, onde praticamente nem mesmo o homem é capaz de chegar. A descoberta é a melhor prova da dimensão do problema e de que chegou o momento de se conscientizar e fazer o possível para reverter essa situação.
O plástico flutua pelos mares de todo o mundo. De fato, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2026, o oceano recebe a cada ano 11 milhões de toneladas de plástico e, para 2040, estima-se que esse número possa chegar a 37 milhões. Uma quantidade alarmante que poderia destruir por completo os ecossistemas marinhos e a segurança alimentar. Agora, esta poluição também atingiu as profundezas do oceano. Um claro exemplo: no ponto mais profundo do planeta, o conhecido abismo Challenger, situado a 10.928 metros de profundidade, a expedição do multimilionário norte-americano Victor Vescovo descobriu neste mesmo ano embalagens de balas e uma sacola plástica. Como elas chegaram até ali? Podemos fazer alguma coisa para evitá-lo? As perguntas diante desse drama ecológico se multiplicam.
O impacto atual do plástico nos oceanos
O impacto atual do plástico nos ecossistemas é uma das grandes crises do século atual. A cada ano, enormes quantidades de plástico continuam entrando no mar, enquanto a produção global segue crescendo, atingindo 430 milhões de toneladas em 2024, das quais uma grande porcentagem acaba se acumulando em costas, águas e fundos marinhos. Isso acarreta danos diretos à fauna, desde asfixia até alterações nos habitats, representando um perigo para a saúde pública mundial.
Diante disso, a pressão regulatória internacional se intensificou nos últimos anos. A partir de 2023, a União Europeia aplica restrições aos microplásticos adicionados intencionalmente e, paralelamente, continuam as negociações nas Nações Unidas para um tratado global contra a poluição por plásticos, demonstrando que o problema se tornou uma prioridade de política pública internacional.
Atualmente, o debate tem centrado a atenção nos microplásticos, já que seu tamanho facilita a dispersão e a entrada na cadeia alimentar. As evidências recentes insistem que não se trata apenas de lixo visível: são partículas persistentes com impacto na biodiversidade e com potenciais efeitos na saúde humana.
Estas partículas se originam a partir do plástico que, após ser descartado e não reciclado, não é reutilizado. Estes resíduos acabam se deslocando para os mares, onde as ondas e o vento os erodem até transformá-los em fragmentos diminutos.
Estes resíduos, embora não os vejamos, estão dispersos no mar e dentro dos organismos das espécies marinhas que muitas vezes consumimos. Dentro destes fragmentos, podemos diferenciar os nanoplásticos, fragmentos de plástico extremamente pequenos com tamanho menor que 100 nanômetros, os microplásticos, com tamanho menor que 5 milímetros, e os macroplásticos, resíduos visíveis a olho nu. Esta poluição já é uma realidade e, em muitos países, fez com que rios e mares se tornassem altamente tóxicos. Segundo as Nações Unidas, calcula-se que cada habitante do planeta consuma mais de 50.000 partículas de plástico por ano, e muitas mais se levarmos em conta a inalação, significando um perigo não apenas para os ecossistemas, mas também para la saúde de todas as pessoas. O dano, portanto, ocorre em todos os níveis. Desde a biodiversidade até os seres humanos que consomem alimentos contaminados.
Causas da poluição nos oceanos
A poluição por plástico nos oceanos deve-se a inúmeras atividades, tanto de pessoas quanto de empresas, que acabam afetando severamente a biodiversidade do nosso planeta:
Como o plástico afeta o mar? Principais consequências
Segundo a organização ecológica Greenpeace, no mundo são produzidas 500 bilhões de garrafas de plástico por ano. Ao nos desfazermos desses produtos, seu destino muitas vezes é desconhecido. No entanto, segundo esta ONG, os dados não são muito animadores: de todo o plástico produzido mundialmente, apenas 9% foi reciclado, 12% foi incinerado e 79% acabou em aterros sanitários ou diretamente no meio ambiente. Por essa razão, é preciso tomar consciência das consequências de não reciclar nossos resíduos. A seguir, destacamos três delas:
Soluções para proteger os oceanos
Os oceanos passam por uma crise sem precedentes devido às mudanças climáticas, à pesca predatória, à poluição —onde entram os plásticos— e à destruição dos habitats marinhos. Estes problemas são gerados pela ação do ser humano, mas a boa notícia é que a solução está em nossas mãos. A responsabilidade dos fabricantes e governos reside na redução da sua pegada de carbono, mas não podemos deixar de lado o papel do consumidor. Cada pequena ação, como, por exemplo, certificar-se de que os resíduos sejam depositados no contêiner adequado, é importante. Os consumidores têm poder e podem alcançar um impacto global.
Nesse sentido, existem diferentes tarefas que pessoas, instituições e governos podem realizar para contribuir para a redução do plástico nos mares:
O papel da Iberdrola na preservação dos oceanos
No Grupo Iberdrola, o impacto positivo na biodiversidade é um dos nossos vetores estratégicos e, por isso, implementamos diferentes iniciativas para proteger os nossos ecossistemas, tanto terrestres quanto marinhos.
Estas medidas, integradas no nosso Plan de Biodiversidade 2030, buscam reduzir a pegada de carbono por meio de uma hierarquia de conservação (evitar, reduzir, restaurar e compensar impactos) em todas as fases dos nossos projetos, evitando instalações em áreas de alto valor ecológico e restaurando habitats afetados pela poluição. Além disso, realizamos um acompanhamento quantificável do nosso impacto por meio de sistemas de medição que avaliam os efeitos sobre espécies e ecossistemas ao longo do ciclo de vida das nossas infraestruturas.
Dentro deste plano, contempla-se a mitigação da poluição de plásticos nos oceanos com projetos como o East Anglia One, onde promovemos a instalação de dois contêineres flutuantes que servem para recolher o plástico e uma parte dos óleos, detergentes ou combustíveis que flutuam nas proximidades do porto de Lowestoft. Outro projeto de especial importância é o Vineyard Wind 1, onde foram implantados colchões ecológicos de proteção de cabos que foram projetados para criar habitats mais adequados para a colonização da flora e da fauna bentônicas, ou seja, aquelas espécies que vivem no fundo do leito marinho.
Além de realizar projetos sustentáveis, também nos focamos em buscar soluções inovadoras para continuar preservando nossos ecossistemas sob o programa de start-ups PERSEO, um programa de inovação aberta com start-ups criado para o desenvolvimento de tecnologias e modelos de negócio para potencializar a sustentabilidade da empresa.











