Países megadiversos
10% da superfície mundial abriga cerca de 70% da diversidade biológica terrestre do planeta
A ação humana e o aquecimento global estão acelerando a extinção das espécies. Enquanto avançamos na necessária transição para uma economia descarbonizada e ambientalmente responsável, nunca foi tão importante proteger a biodiversidade do planeta e seus ecossistemas naturais, especialmente nos chamados países megadiversos. Esses países são definidos como territórios que abrigam uma riqueza extraordinária de espécies e um alto grau de endemismo, ou seja, espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo. No entanto, cabe fazer uma distinção: um país pode ser rico em espécies e altamente diverso mas não estar dentro da categoria de “megadiverso”, algo que ocorre quando não apresenta um elevado nível de singularidade biológica.






O que são os países megadiversos?
Os países megadiversos são aqueles que abrigam os maiores índices de biodiversidade, incluindo uma grande quantidade de espécies endêmicas. Esse conceito foi proposto pela primeira vez, em 1988, por Russell Mittermeier e, atualmente, é utilizado para conscientizar sobre a proteção da biodiversidade natural, especialmente nos países onde é mais abundante e está mais ameaçada.
Embora só representem cerca de 10% da superfície do mundo, os países megadiversos abrigam, pelo menos, 70% da diversidade biológica terrestre do planeta, incluindo mais de dois terços de todas as espécies vertebradas que não são peixes e três quartos de todas as espécies de plantas superiores.
Por que os países megadiversos são importantes?
Os países megadiversos são fundamentais porque concentram uma parte significativa da biodiversidade global e desempenham um papel crucial no equilíbrio ecológico do planeta. Neles, são gerados serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima, o fornecimento de água doce, a fertilidade do solo e a polinização das culturas, dos quais dependem milhões de pessoas. Além disso, abrigam inúmeras espécies endêmicas – únicas no mundo – cuja perda representaria uma extinção irreversível.
Esses territórios também sustentam economias locais e culturas tradicionais profundamente ligadas à natureza. Por isso, sua conservação não é apenas uma questão ambiental, mas uma prioridade global, já que envolve não apenas a perda de espécies, mas também uma ameaça direta à saúde, segurança alimentar e estabilidade econômica.
Lista de países megadiversos
O Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (WCMC, em suas iniciais em inglês), que pertence ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), identificou um total de 17 países megadiversos: Austrália, Brasil, China, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Índia, Indonésia, Madagáscar, Malásia, México, Papua Nova Guiné, Peru, República Democrática do Congo, África do Sul e Venezuela.
Nos dias 16 e 17 de fevereiro de 2002, 12 dos principais países em desenvolvimento considerados como megadiversos (Brasil, China, Costa Rica, Colômbia, Equador, Índia, Indonésia, Quênia, México, Peru, África do Sul e Venezuela) se reuniram de maneira independente ao WCMC. Nessa reunião foi adotada a Declaração de Cancún e formado o denominado Grupo de Países Megadiversos Afins como um mecanismo de consulta e cooperação para promover os interesses relacionados à preservação e utilização sustentável da diversidade biológica, assim como a participação justa e equitativa dos benefícios originados da utilização de recursos genéticos. Outros países — como Malásia, Filipinas, Guatemala e Irã — se juntaram a esse grupo ao longo dos anos.
Biodiversidade em um mundo com constantes mudanças
- Entre 1970 e 2018, o tamanho das populações de espécies foi reduzido em 69 %
- A perda de espécies é especialmente acentuada nos trópicos: na América do Sul e na America Central, essa perda foi de 94 %
The loss of biodiversity in detail
Atualmente, máis de 42.100 espécies estão em perigo de extinção, o que representa 28% de todas as espécies avaliadas:
- 13 % Aves
- 27 % Mamíferos
- 28 % Crustáceos seleccionados
- 31 % Tubarões e arraias
- 34 % Coníferas
- 36 % Recifes de coral
- 41 % Anfibios
Que futuro queremos?
São necessárias medidas mais ambiciosas para travar a perda de biodiversidade.
Os indicadores devem nos ajudar a fazer boas políticas e monitorar sua evolução.
Fontes: Living Planet Report (WWF, 2022) e Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (2023)
VER INFOGRÁFICO: A importância da biodiversidade [PDF] Link externo, abra em uma nova aba.
Características dos países megadiversos
De acordo com o Centro Mundial de Monitoramento da Conservação, para que um país seja considerado megadiverso, ele deve:
- Ter, pelo menos, 5.000 plantas endêmicas.
- Ter ecossistemas marinhos dentro de suas fronteiras.
O Grupo de Países Megadiversos Afins, por sua vez, estabelece que os países megadiversos contêm uma ou mais das seguintes características:
Posição geográfica: a maioria está na zona tropical, onde existe uma maior diversidade de espécies.
Diversidade de paisagens: a complexidade das paisagens com montanhas confere diversidade de ambientes, de solos e de climas.
Isolamento: la progressiva separação de ilhas e continentes permitiu o desenvolvimento de flora e fauna únicas.
Tamanho: quanto maior o tamanho, maior a diversidade de paisagens e de espécies.
História evolutiva: alguns países estão em pontos de convergência entre duas regiões biogeográficas, onde se misturam faunas e floras com diferentes histórias.
Cultura: a domesticação de plantas e animais contribuiu para a riqueza natural.
Principais ameaças para os países megadiversos
Esses territórios, apesar de sua enorme riqueza biológica, enfrentam uma série de pressões crescentes que colocam em risco seus ecossistemas e espécies:
- Desmatamento e mudança no uso da terra: a expansão da agricultura, pecuária e mineração destrói grandes extensões de habitat natural e reduz drasticamente a biodiversidade.
- Espécies invasoras: introduzidas pela ação humana, essas espécies deslocam as nativas, alteram os ecossistemas e podem causar extinções locais.
- Poluição: os despejos industriais, plásticos e produtos químicos degradam solos, rios e oceanos, afetando diretamente a fauna e a flora.
- Sobreexploração de recursos: a pesca intensiva, o desmatamento indiscriminado e o tráfico ilegal de espécies reduzem as populações antes que elas possam se recuperar.
- Fragmentação de habitats: infraestruturas como rodovias ou áreas urbanizadas dividem os ecossistemas, isolam as espécies e dificultam sua sobrevivência.
Ações dos países megadiversos
Guiado pela Declaração de Cancún, o Grupo de Países Megadiversos Afins está há mais de 15 anos comprometido, entre outros, com os seguintes objetivos:
- Apresentar posições comuns nos fóruns internacionais relacionados à diversidade biológica.
- Promover a preservação da diversidade biológica nos países de origem e o desenvolvimento de projetos conjuntos de pesquisa para fazer inventários de seus recursos, assim como para investir no desenvolvimento e na aplicação de tecnologias endógenas em apoio à preservação e às atividades econômicas sustentáveis no âmbito local.
- Garantir que bens, serviços e benefícios provenientes da preservação e do aproveitamento sustentável da diversidade biológica sirvam de suporte para o desenvolvimento das pessoas.
- Explorar, de forma conjunta, formas para trocar informações e harmonizar as respectivas legislações nacionais dos países-membros para a proteção da diversidade biológica, assim como para o acesso aos recursos biológicos e genéticos e à distribuição dos benefícios de sua utilização.
- Estabelecer marcos regulatórios que criem incentivos para a preservação e o uso sustentável dos recursos biológicos.
- Impulsionar ações com outros países, com a iniciativa privada e stakeholders, para que, com um espírito de cooperação e em benefício mútuo, demonstrem sua responsabilidade em relação ao uso adequado do capital natural dos países megadiversos. Tem o objetivo também de contribuir de forma prática para os objetivos de conservação, aproveitamento sustentável e distribuição dos benefícios que constam na Convenção sobre Diversidade Biológica.
- Combater, de forma conjunta, a apropriação indevida ou ilegítima de recursos genéticos, por meio da troca de informações sobre o comportamento negativo de instituições acadêmicas ou privadas e o desenvolvimento de mecanismos que permitam controlar o destino dos recursos genéticos dos países de origem.
A mudança climática acelera a sexta extinção
Os recursos naturais, um bem em perigo de extinção
O que a Iberdrola faz para proteger a biodiversidade?
A Iberdrola incorporou a proteção da biodiversidade como um eixo central de sua estratégia. Através de seu Plano de Biodiversidade 2030, a empresa estabeleceu o objetivo de gerar um impacto positivo líquido sobre os ecossistemas nos quais opera. Para isso, aplica de forma sistemática a chamada “hierarquia de mitigação” em todos os seus projetos — evitar, minimizar, restaurar e, em último caso, compensar os impactos —, tendo em consideração a questão da biodiversidade desde a fase de concepção. Além disso, avalia e monitora seus efeitos sobre espécies e habitats por meio de ferramentas específicas de medição, e desenvolve planos de ação em todas as suas instalações. A empresa também promove iniciativas concretas de restauração e conservação, como projetos de reflorestamento e captura de CO₂ por meio de seu programa Carbon2Nature, além de mais de 750 ações anuais de proteção ambiental.
Ecossistemas emblemáticos nos países megadiversos
Os países megadiversos abrigam alguns dos ecossistemas mais representativos e valiosos do planeta, fundamentais para o equilíbrio ecológico global. Entre eles, destacam-se:
-
Amazônia: a maior floresta tropical do mundo, que se estende principalmente pelo Brasil, Peru e Colômbia, sendo essencial para a regulação climática e com uma biodiversidade excepcional.
• Andes: cordilheira que atravessa países como Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile, com grande diversidade de ecossistemas e alto grau de endemismo.
• Recifes de corais: presentes em regiões como Austrália (Grande Barreira de Coral), Indonésia ou Filipinas, são importantes por sua enorme riqueza biológica e sua fragilidade diante das mudanças climáticas.
• Florestas tropicais: abundantes em países como Brasil, República Democrática do Congo ou Indonésia, concentram uma altíssima diversidade de espécies e são essenciais para o armazenamento de carbono.
• Savana: como as da África Subsaariana (Quênia, Tanzânia) ou o cerrado brasileiro, abrigam grande diversidade de fauna e mantêm importantes equilíbrios ecológicos.
• Manguezais: distribuídos em zonas costeiras de países como México, Indonésia ou Bangladesh, protegem contra a erosão, servem de refúgio para inúmeras espécies e atuam como barreira natural contra fenômenos extremos.