Complexo do Tâmega

Complexo do Tâmega: gigabateria e hibridização eólica para a eletrificação em Portugal

Armazenamento energético Eólica onshore Energia hidrelétrica

O Complexo do Tâmega, localizado no norte de Portugal, representa uma das maiores iniciativas energéticas da história do país e um dos maiores projetos de armazenamento de energia da Europa. Este sistema integrado combina um complexo hidrelétrico composto por três barragens com dois parques eólicos onshore, o que transforma a instalação em uma usina híbrida de geração limpa e despachável, com capacidade instalada total de 1.432 MW.

Publicação: Outubro de 2026

Tempo de leitura: 5 minutos

 
Projeto em andamento

Complexo do Tâmega

Localização Rio Tâmega (norte de Portugal), Braga e Vila Real
Capacidade total instalada 1.432 MW
Investimento total +1,85 bilhão de euros
Operacional desde 2022

O norte de Portugal abriga um dos maiores projetos de energia construídos na Europa: o Complexo do Tâmega. Esta grande infraestrutura energética, na qual foram investidos mais de 1,85 bilhão de euros, é composta por duas tecnologias diferentes. Por um lado, o projeto hidrelétrico do Tâmega, localizado ao norte do rio, perto do Porto, que se divide em três usinas hidrelétricas: Gouvães, Daivões e Alto Tâmega, usina totalmente operacional desde 2024. Por outro lado, dois parques eólicos — Tâmega Norte, em operação desde a primavera de 2026, e Tâmega Sul, ainda em construção —, localizados entre Braga e Vila Real. Todas as instalações compartilharão uma mesma infraestrutura de conexão à rede, por meio da subestação do Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Com uma potência total instalada de 1.432 MW — resultado da combinação de 1.158 MW hidrelétricos e 274 MW eólicos —, o conjunto é capaz de produzir anualmente 2.367 gigawatts-hora (GWh) de energia limpa — 1.766 GWh de origem hidráulica e 601 GWh de origem eólica —, o que permite atender às necessidades energéticas de cerca de 440.000 residências. 

A essa capacidade de produção soma-se uma capacidade de armazenamento de 40 milhões de kWh em sua gigabateria de bombeamento, valor equivalente ao consumo doméstico diário de 11 milhões de pessoas. No plano ambiental, o complexo evita a emissão anual de mais de 1,2 milhão de toneladas de CO₂ e a importação de mais de 160.000 toneladas de petróleo. Após a entrada em operação de suas três usinas hidrelétricas entre 2022 e o final de 2024, o projeto concluirá seu desenvolvimento com o início de funcionamento de seus dois parques eólicos — Tâmega Norte, operacional desde a primavera de 2026, e Tâmega Sul, cuja conclusão e entrada em operação estão previstas para o final de 2026.

Uma usina híbrida

A construção do Complexo do Tâmega representa um marco energético na Península Ibérica, já que o projeto se tornou o primeiro de energia híbrida da região e é um dos maiores complexos energéticos da Europa.

Após a aprovação, em 2024, da construção dos dois parques eólicos, foi acrescentada uma camada adicional de inovação ao projeto hidrelétrico. Trata-se das primeiras usinas desse tipo conectadas à rede que estão sendo construídas na área em torno das três usinas (Gouvães, Daivões e Alto Tâmega) que compõem o complexo do Tâmega.

A principal vantagem dessa hibridização é que ela permite que a energia hidrelétrica e a eólica utilizem a mesma infraestrutura elétrica e a mesma conexão à rede, funcionando de maneira complementar. Quando há recurso eólico disponível, ele é aproveitado dentro da capacidade já instalada; quando as condições mudam, a geração hidrelétrica traz flexibilidade ao sistema.

Nesse contexto, a Iberdrola poderá gerenciar a oferta e a demanda de eletricidade entre as energias hidrelétrica e eólica em função da disponibilidade de ambos os recursos, mas também de acordo com a dinâmica dos preços do mercado.