'Big data' e meio ambiente

'Green Data': As estatísticas podem ajudar o meio ambiente?

A aplicação de big data para reduzir o aquecimento global e proteger o meio ambiente é conhecida como dados verdes. Essa tecnologia pode ajudar a otimizar a eficiência do setor de energia, tornar as empresas mais sustentáveis e criar cidades inteligentes, entre outros.

A aplicação de dados massivos para brecar o aquecimento global é o que se conhece como green data.
A aplicação de dados massivos para brecar o aquecimento global é o que se conhece como green data.

A vida no século XXI aparece codificada em forma de números, palavras-chave e algoritmos: um universo de dados caótico em perpétua expansão. O big data é um conjunto de tecnologias criadas para armazenar, analisar e gerenciar esses dados massivos, uma macroferramenta destinada a identificar padrões no caos de explosão informativa para elaborar soluções inteligentes.

Atualmente, o big data é utilizado em áreas tão diversas como a medicina, a agricultura, as apostas ou a proteção do meio ambiente.

'Big data' e meio ambiente

As mudanças climáticas é o maior desafio que enfrentamos como espécie e o big data ambiental nos ajuda a compreender todas as suas complexas inter-relações. A aplicação de dados massivos para brecar o aquecimento global é o que se conhece como green data.

A Europa conta com diferentes modelos geradores de green data e um deles é o Copernicus. Trata-se de um programa de observação da Terra por satélite capaz de calcular, entre outras coisas, a influência do aumento das temperaturas no caudal dos rios. O Copernicus já está proporcionando informações fundamentais para a otimização da gestão dos recursos hídricos, da biodiversidade, da qualidade do ar, da pesca ou da agricultura. Nos últimos anos, os green data evoluíram graças ao desenvolvimento da Inteligência Artificial, que permite analisar dados ambientais com maior velocidade, precisão e capacidade preditiva.

Outros projetos internacionais que utilizam o green data para combater a mudança climática são:

  • Aqueduct

    Mede os riscos associados à água, analisando sua qualidade e quantidade, e disponibiliza ao público mapas interativos de risco. Sua aplicação tem sido em escala global, com parceiros estratégicos em países como a Suécia ou a Holanda, e utilizada em empresas e cadeias de suprimentos que dependem da água, além de em políticas públicas de gestão hídrica e planejamento territorial.

  • Global Forest Change

    Calcula o desmatamento contando as árvores uma a uma, graças a imagens de satélite de alta resolução. Sua aplicação ocorreu em estudos globais sobre mudanças na cobertura florestal e em ferramentas de monitoramento como o Global Forest Watch, sendo utilizada por governos, jornalistas e pesquisadores. 

  • Danger Map

    Determina a poluição por meio de dados fornecidos por milhões de cidadãos. Seu campo de aplicação tem se concentrado principalmente na China, com o objetivo de melhorar a qualidade do ar, e em cidades como Patna e Gurgaon, na Índia.  

'Big data' e energias renováveis

A aposta nos dados massivos pode reforçar a competitividade das energias renováveis em relação aos combustíveis fósseis. Vejamos algumas das contribuições do big data ambiental para as diferentes tecnologias limpas:

  • Energía eólica

    O uso de algoritmos complexos para construir modelos preditivos das condições eólicas ajuda a determinar a quantidade de energia que será produzida. 

  • Energía fotovoltaica

    Os dados massivos otimizam a eficiência das usinas, permitindo que se adaptem à intensidade luminosa do momento. 

  • Energia hidrelétrica

    O manuseio de grandes volumes de dados pode contribuir, entre outros avanços, para evitar fugas nas usinas e para ter um maior controle dos caudais de água.

Da mesma forma, os consumidores do setor renovável também serão beneficiados por essa revolução informativa. Por um lado, a conexão dos dados dos medidores inteligentes com as previsões meteorológicas permitirá ajustar a demanda em tempo real, favorecendo a criação de tarifas totalmente personalizadas. Por outro, a Internet das Coisas permitirá reduzir o gasto energético, por exemplo, adaptando a iluminação e a temperatura ambiente ou o consumo de certos eletrodomésticos às necessidades de cada momento.

El “Green Data”, Un aliado para el desarrollo sostenible

El Green Data
  • El Green Data
  • Contra el cambio climático
  • Centrales sostenibles
  • Energía eólica
  • Consumo energético
  • Tarifas personalizadas
  • Agricultura sostenible
  • Gestión inteligente de residuos
  • Economía circular
  • Alerta en los océanos
  • Calidad del agua
  • Sin fugas en las hidroeléctricas

El Green Data

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Contra el cambio climático

Facilitará el análisis del consumo instantáneo del agua, las emisiones de CO₂, etc.

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Centrales sostenibles

Favorecerá su máximo aprovechamiento con el control de la intensidad lumínica y las circunstancias medioambientales.

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Energía eólica

Ayudará a predecir con mayor precisión la producción de generación.

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Consumo energético

Ayudará a reducir el 20% del consumo energético de los edificios.

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Tarifas personalizadas

Permitirá ajustar la demanda de electricidad de cada cliente.

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Agricultura sostenible

Mejorará el rendimiento de las cosechas a través del estudio de las semillas y la meteorología.

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Gestión inteligente de los residuos

Optimizará la recuperación y el reciclaje de los residuos a través de la centralización de los datos.

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Economía circular

Encontrará modelos más productivos que favorezcan el desarrollo de entornos más saludables y sostenibles.

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Alertas en los océanos

Permitirá anticiparse a los tsunamis gracias a la monitorización en tiempo real de la actividad oceánica.

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Calidad del agua

Facilitará la marcación de las zonas aptas para el consumo.

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Sin fugas en las hidroeléctricas

Reducirá los costes de instalación y realizará diagnósticos inteligentes.

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'Big data' e cidades inteligentes

A ONU afirma que, em 2030, dois terços da população mundial estarão concentrados nas grandes cidades, o que significa que a população urbana nos países em desenvolvimento dobrará de tamanha. Atualmente, mais da metade dos 8 bilhões de pessoas no mundo já vive em áreas urbanas, e espera-se que o número de megacidades (com mais de 10 milhões de habitantes) aumente de 33 para 43 até 2030.  

Essa realidade apresenta desafios ambientais críticos: maior consumo de energia, aumento das emissões de carbono, pressão sobre os recursos hídricos e geração massiva de resíduos. Essa problemática tornou o green data uma importante ferramenta para nos adaptarmos a essa nova era global e, ao mesmo tempo, tentarmos mitigar a poluição.  

Entre as iniciativas que estão utilizando a análise de big data para criar cidades mais inteligentes e sustentáveis, destacam-se: 

  • Gestão de resíduos

    Como o projeto Trash Track, que consiste na instalação de sensores com GPS no lixo para compreender melhor os percursos da reciclagem. Ele foi testado em cidades como Nova York e Seattle para acompanhar o trajeto dos resíduos da cidade. 

  • Mobilidade inteligente

    O uso de dados para uma mobilidade mais sustentável é uma realidade graças ao sistema AllAboard, capaz de otimizar o planejamento do transporte público utilizando dados de localização de celulares. Desde seu lançamento em dezembro de 2021, o aplicativo já foi utilizado por mais de 130 usuários em mais de 1.500 instâncias nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Reino Unido. 

  • Prevenção de riscos climáticos

    Graças à comunidade Crisis Mappers Net, é possível analisar dados de diferentes fontes (imagens de satélite, plataformas geoespaciais, simuladores etc.) para alertar sobre desastres naturais e facilitar uma resposta rápida. Essa tecnologia foi utilizada durante o tufão Haiyan, em 2013, nas Filipinas, pela Digital Humanitarian Network (DHN).

  • Melhoria na qualidade do ar

    Modelos baseados em IA podem monitorar e prever a qualidade do ar em tempo real, permitindo restrições de tráfego direcionadas antes que a poluição atinja seu pico. Países como a China já estão aplicando essa tecnologia para medir seus picos de poluição. 

'Big data': Rumo à responsabilidade social de dados

Devido à sua atividade, as empresas são um dos agentes que provocam um maior impacto negativo no meio ambiente. Desde a mudança de milênio já estamos vendo nos relatórios de sustentabilidade das empresas — publicados no quadro da memória anual —, as estratégias e ações que estão sendo implementadas para minimizar tal impacto. Nos últimos anos, o green data está contribuindo para tornar as empresas mais sustentáveis através de sua participação em:

  • Uso eficiente dos recursos

    Por meio de processos como a otimização da gestão energética. 

  • Mitigação de emissões

    A redução das emissões de dióxido de carbono decorrentes da produção e das frotas de veículos, por meio da otimização das rotas. 

  • Monitoramento

    A antecipação das necessidades de conserto e substituição das máquinas monitoradas por meio de sensores.

A Inteligência Artificial e sua contribuição para o meio ambiente 

Os avanços da Inteligência Artificial (IA) têm contribuído para que sua participação na sustentabilidade seja cada vez maior ao longo dos anos. No entanto, ela possui dois aspectos que vale a pena mencionar. Por um lado, permite processar grandes volumes de dados para detectar poluição, antecipar riscos climáticos e melhorar o uso dos recursos naturais. Por outro, seu crescimento também aumenta a demanda por energia, o que pode resultar, ao mesmo tempo, em um aumento das emissões de carbono se essa demanda não for atendida por fontes renováveis.  

Apesar disso, hoje em dia ela é uma ferramenta crucial para o desenvolvimento de diversos setores. A UNESCO resume em três as principais contribuições da IA para a sustentabilidade: dar sentido à complexidade ecológica, ajudar os consumidores a adotar hábitos mais sustentáveis e reduzir a pegada ambiental promovendo a circularidade

Um exemplo dessas contribuições é sua utilidade em setores como a agricultura, onde essa tecnologia permite um consumo mais eficiente da água, com sistemas de irrigação automatizados e um maior nível de análise. Outra utilidade é a capacidade de analisar dados provenientes de satélites, sensores urbanos ou modelos climáticos para medir a qualidade do ar, o derretimento das neves, o desmatamento ou a evolução dos ecossistemas com muito mais precisão do que antes. Isso é útil para detectar padrões que seriam difíceis de identificar manualmente e melhorar a resiliência climática diante de incêndios, eventos extremos ou focos de poluição. 

No entanto, esse avanço tecnológico não está isento de tensões. De acordo com um novo estudo da Universidade das Nações Unidas (UNU), o consumo de água relacionado à IA poderia equivaler às necessidades domésticas básicas anuais de 1,3 bilhão de pessoas até o final da década. Além disso, de acordo com a UNESCO, as soluções consideradas “verdes” em certo sentido podem causar outros problemas, especialmente em regiões que já enfrentam escassez de recursos. A transição para certas fontes de energia renováveis, por exemplo, pode reduzir as emissões de carbono, mas também aumentar significativamente o consumo de água e o uso do solo

Diante dessa situação, uma das soluções passa pelo fomento de uma IA resiliente: uma transição para sistemas menores, especializados e mais eficientes no uso de recursos que, segundo a UNESCO, podem reduzir o consumo de energia da IA em até 90% sem sacrificar o desempenho

Desafios do uso de dados e da Inteligência Artificial 

Com a irrupção da IA em todos os setores da economia, o impulso para soluções sustentáveis e eficazes nunca foi tão real. No entanto, existem novos desafios que ainda precisam ser superados. Um dos principais é o consumo de energia dos data centers que sustentam essa tecnologia: segundo a Agência Internacional de Energia, os data centers representaram cerca de 1,5% do consumo mundial de eletricidade em 2024, e esse número pode triplicar até 2035. Além disso existe o impacto hídrico associado à refrigeração dessas infraestruturas, que consome milhões de litros de água e causa consequências diretas sobre esses recursos nos países onde estão localizadas.  

Outro desafio é a privacidade e a governança dos dados. Organizações como a UNESCO apontam que o desenvolvimento da IA deve se basear em uma ética relacionada ao uso responsável dos dados, com o objetivo de atenuar os riscos de informações errôneas, desinformação e discurso de ódio, bem como os danos causados pelo uso indevido de dados pessoais.  

Por outro lado, a infraestrutura complexa e pouco eficiente no consumo de recursos gera um problema na luta pela redução da pegada de carbono. No entanto, de acordo com um estudo publicado pela UNESCO em 2025, os modelos menores de IA são tão inteligentes e precisos quanto os grandes e podem reduzir o consumo de energia em até 90%. Isso, aliado ao uso de energias limpas para atender à demanda energética dos data centers, pode tornar a IA uma tecnologia mais sustentável e independente da importação de energia ou combustíveis fósseis.  

A aposta da Iberdrola na Inteligência Artificial 

A chegada da Inteligência Artificial ao setor elétrico já é uma realidade. Essa tecnologia permitiu que as redes se tornassem mais eficientes, seguras e sustentáveis. Graças à IA, as empresas podem antecipar problemas, otimizar o uso de recursos e garantir que a eletricidade chegue da maneira mais confiável e econômica. Além disso, é uma ferramenta útil na luta global contra as mudanças climáticas, já que contribui para a adaptação aos seus impactos, como antecipar os riscos decorrentes de catástrofes naturais, otimizar sistemas elétricos, melhorar a eficiência energética e facilitar a integração de energias renováveis em grande escala.  

As soluções e inovações proporcionadas por essa tecnologia são fundamentais para o objetivo do Grupo Iberdrola de reduzir suas emissões de carbono, uma vez que nos permitem fornecer eletricidade a um número maior de pessoas sem a necessidade de construir novas infraestruturas. Além disso, por meio da análise de imagens de satélite e dados de sensores, os algoritmos de IA ajudam a identificar áreas prioritárias para a eletrificação e a projetar microrredes adaptadas às necessidades locais, desempenhando um papel fundamental no acesso à energia.  

Também colaboramos com uma ampla gama de start-ups de IA e de tecnologia por meio de diversas iniciativas de colaboração aberta, como o Global Smart Grids Innovation Hub, que funciona como um grande ecossistema focado na criação de tecnologia que ajude o sistema elétrico espanhol a se tornar um dos mais avançados da Europa e do mundo, por meio da promoção de projetos disruptivos que combinam IA, big datacloud computing e outras tecnologias para melhorar a gestão das redes elétricas.