MUSEUS, ARTE E SUSTENTABILIDADE

Como conservar o patrimônio respeitando o meio ambiente?

Até agora, as rigorosas condições de conservação exigidas por suas coleções tinham impedido que os museus pudessem se adequar às necessidades do desenvolvimento sustentável. No entanto, nos últimos anos, a Academia de Ciências da Califórnia, o Museu da Amanhã do Rio de Janeiro e o Museu do Prado de Madri mostraram que é possível conciliar as elevadas demandas energéticas de um museu com o respeito ao meio ambiente.

O QUE SÃO OS MUSEUS SUSTENTÁVEIS?

Temperatura entre 20 e 22 graus, umidade relativa entre 40 e 45% e, no máximo, 150 lux de iluminação. Essas são as condições recomendadas para a conservação de quadros em uma galeria. Outros tipos de museus, como os arqueológicos, devem climatizar suas salas com diferentes condições para preservar materiais como peles, metais ou ossos.

Forçados a manterem condições rigorosas de conservação que historicamente ignoram a eficiência energética, os museus estão transformando suas práticas e suas estruturas para se alinharem ao desenvolvimento sustentável e à luta contra as mudanças climáticas. Os museus sustentáveis do século XXI, além de promoverem maior conscientização sobre temas ambientais, são energeticamente eficientes e gerenciados de forma sustentável.

ARQUITETURA SUSTENTÁVEL E CONSCIENTIZAÇÃO

No caso dos museus, um dos exemplos de arquitetura sustentável mais espetacular é a Academia das Ciências da Califórnia (Estados Unidos). Integrado de forma natural na paisagem, esse museu tem um teto de 10.000 metros quadrados revestido com plantas nativas que atuam como isolante térmico, reduzindo as necessidades energéticas do edifício e absorvendo 13 milhões de litros de água por ano, o que garante maior reaproveitamento dos recursos hídricos para o próprio museu.

Cerca de 90% do material da antiga academia do museu foi reutilizado para sua reconstrução, seu consumo de eletricidade é 30% inferior em relação a qualquer edifício de seu tamanho e suas 60.000 células fotovoltaicas geram 10% de suas necessidades energéticas. A Academia de Ciências da Califórnia recebeu a prestigiada certificação LEED platina (Leadership in Energy and Environmental Design, em suas iniciais em inglês) concedida pelo Green Building Council aos edifícios mais sustentáveis.

Nos últimos anos, também foram criados outros edifícios sustentáveis, como o futurista Museu do Amanhã no Rio de Janeiro (Brasil). Inaugurado em 2015, o museu tem um consumo de energia 40% inferior em relação a um edifício convencional e seu sistema de resfriamento utiliza água da baía de Guanabara, localizada nas proximidades. Baseado na ideia de que o futuro começa hoje, o objetivo do Museu do Amanhã é conscientizar o público sobre a importância da sustentabilidade como o único caminho para o futuro, com experiências imersivas, audiovisuais e jogos interativos.

Na Europa, também existem museus cujo objetivo é promover a conscientização sobre a proteção do meio ambiente, como o Museu do Oceano de Biarritz (França). Esse espaço permite que o público faça uma viagem interativa ao fundo dos oceanos de todo o mundo. Um dos museus mais reconhecidos no mundo por seu trabalho de conscientização é o Biomuseo do Panamá, cuja finalidade é educar sobre a importância natural e cultural do istmo do Panamá, além de destacar a aposta do país na conservação dos recursos naturais e na biodiversidade.

RESTAURAÇÃO SUSTENTÁVEL

Mas nem sempre é possível construir do zero um museu ou submetê-lo a uma grande reforma. Não é preciso ir muito longe para encontrar alguns casos. A Espanha, por exemplo, conta com museus de valor histórico imponderável que devem ser conservados periodicamente. E é aqui que entra a restauração sustentável.

De acordo com especialistas, para que um processo de restauração seja sustentável, seus responsáveis devem seguir certas normas ao longo de suas diferentes fases:

  • Gerenciar, de forma responsável, os resíduos gerados durante a demolição.
  • Otimizar o uso de materiais para que causem o menor impacto ambiental.
  • Melhorar o isolamento para reduzir o consumo energético.
  • Fazer uma manutenção sustentável depois que a obra for concluída.

A Iberdrola, por meio de seu instituto na Espanha, patrocina a instalação de um novo sistema de iluminação com tecnologia LED no Museu do Prado. Essa solução permitirá uma economia anual de energia de 75% e evitará a emissão de 320 toneladas de CO2 por ano. O Museu Nacional de Arte da Cidade do México (MUNAL) está fazendo uma renovação semelhante, graças à Iberdrola México.

Veja mais exemplos e características de museus sustentáveis

As restaurações sustentáveis feitas em museus nos últimos anos incluem:

  • O Museu Hermitage em Amsterdã (Holanda): construído em 1683, esse centro conseguiu reduzir seu consumo de energia, melhorando seu isolamento e criando sistemas de ar-condicionado mais eficientes e originais — incluindo um mecanismo de compartilhamento do calor e frio excedentes com o Jardim Botânico.
  • O Recinto Modernista de Sant Pau, em Barcelona (Espanha): o projeto foi realizado em 2009 e serviu para melhorar o isolamento do local, respeitando seus materiais originais. O espaço também conta com uma instalação geotérmica que aproveita a temperatura em camadas mais profundas do solo para aquecer ou resfriar um circuito fechado de água.

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GESTÃO RESPONSÁVEL E ARTE SUSTENTÁVEL

Mas não se trata apenas de melhorar sua eficiência energética. Para que um museu seja considerado sustentável, também é necessário ser gerenciado de forma responsável. Seu compromisso com o meio ambiente deve estar presente em todas as suas áreas, desde as decisões da direção até a composição da coleção, passando pelas normas de comportamento de seus empregados.

Seis fatores-chave para a gestão sustentável de um museu.#RRSSSeis fatores-chave para a gestão sustentável de um museu.

Como fazer uma gestão responsável?

De acordo com as melhores práticas, um museu sustentável deve focar seus esforços em:

  • Reduzir ao máximo seu consumo energético.
  • Fomentar medidas de reciclagem e de reutilização dos materiais.
  • Implantar sistemas de gestão ambiental.
  • Ser um espaço de produção cultural sustentável, expondo o trabalho de artistas conscientes do impacto que sua obra gera em âmbito social e ambiental.
  • Concienciar o público sobre a sustentabilidade ambiental, econômica e social por meio de exposições e iniciativas.
  • Fomentar o comércio justo em seus espaços comerciais.

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A construção e a restauração sustentável de edifícios listados como Patrimônio Cultural é um grande desafio. É a melhor forma de cuidar do patrimônio e dos recursos para as gerações futuras e contribuir para a conscientização em prol da proteção do meio ambiente.

 Oito passos para a construção sustentável (*)

 Conheça os templos da arte do século XXI (*)

   

(*) Disponível na versão em espanhol.