Elementos da energia elétrica: guia completo

Energia elétrica: conceitos essenciais

O domínio da eletricidade representa um dos avanços tecnológicos mais revolucionários até hoje, com impacto direto na industrialização e na qualidade de vida. Desde sua descoberta, o progresso social e tecnológico tem sido exponencial e notável. Mas você conhece bem os termos relacionados à energia elétrica? Nesta página, explicaremos os conceitos básicos necessários para compreender seu funcionamento, desde a geração até a chegada ao ponto de consumo.

Imagem de uma rede elétrica com um feixe de luz passando por seus cabos
A eletricidade percorre um longo caminho e passa por mudanças de tensão e intensidade até chegar a uma residência.

O que você sabe sobre eletricidade? Essa forma de energia, que resulta do movimento de partículas carregadas, como os elétrons, por um condutor, envolve inúmeros conceitos e elementos associados. Para entender melhor como ela funciona, bem como as grandezas e os elementos que é preciso conhecer para poder utilizá-la de maneira correta e segura, explicaremos os termos relacionados à energia elétrica mais importantes que você deve saber.

As grandezas elétricas

A eletricidade possui diferentes grandezas associadas que permitem medir e compreender o funcionamento dos diversos sistemas elétricos e eletrônicos. Desde o ponto de geração até o momento em que você aciona um interruptor em sua casa, essas grandezas explicam como a eletricidade se comporta em cada ponto e como se relaciona com outros elementos aos quais está conectada.

  • Tensão (Volts)

    A tensão é definida como a grandeza responsável por medir a diferença de potencial elétrico existente entre dois pontos e é expressa em volts (V). Outra forma de se referir a ela é pelo termo tensão elétrica, que se distingue entre alta, média e baixa tensão, ou também diferença de potencial elétrico. 

    Para entender melhor, imagine uma pilha comum de 1,5 V. O polo negativo (-) está cheio de elétrons querendo escapar, e o polo positivo (+) deseja recebê-los. Esses 1,5 V não representam a quantidade total de energia da pilha, mas a força de atração que empurra os elétrons do polo negativo em direção ao positivo.

    Quando você conecta os dois polos por meio de um fio, essa força é liberada e os elétrons “correm” em direção ao polo positivo, gerando, com seu movimento, a corrente elétrica que faz funcionar uma lanterna, por exemplo.

  • Corrente (Amperes)

    Se a tensão se refere à força com que os elétrons se deslocam de um polo para o outro para gerar eletricidade, a corrente elétrica mede a intensidade com que isso ocorre. Ou seja, a quantidade de partículas (elétrons ou íons) que se movem através de um condutor.

    Pensemos em um cano com água. A água representa as partículas carregadas que viajam de um ponto a outro. Neste exemplo, a intensidade ou corrente seria a vazão que circula por esse cano. A unidade utilizada para medir essa vazão de corrente elétrica por unidade de tempo é o ampere (A), em homenagem ao físico francês André-Marie Ampère.

    Esse movimento entre as cargas produz um campo magnético, fenômeno que dá origem aos chamados eletroímãs. 

  • Resistência (Ohms)

    Como o próprio nome indica, trata-se de uma forma de oposição que a corrente elétrica encontra ao circular pelo condutor pelo qual se desloca. De acordo com o Sistema Internacional, a unidade que mede a resistência é o ohmio, representado pela letra grega ômega (Ω).

    Se retomarmos o exemplo do cano, um exemplo de resistência seria o estreitamento do canal, já que isso afetaria a quantidade e a força com que a carga se desloca.  

  • Potência contratada (quilowatts)

    Esse termo se refere à quantidade máxima de energia elétrica que um cliente pode utilizar simultaneamente em sua instalação, de acordo com seu contrato. A unidade utilizada para expressá-la é o quilowatt (kW).

  • Energia consumida (quilowatts-hora)

    A energia consumida se refere ao total de energia utilizada durante o funcionamento de um aparelho elétrico. Isso pode representar, por exemplo, a energia que você utilizou ou consumiu enquanto sua lavadora esteve funcionando durante o ciclo longo. É por isso que ela é medida na unidade quilowatts-hora (kWh), já que depende do tempo de uso.

Leis fundamentais da eletricidade

Para entender melhor como as principais grandezas da eletricidade se relacionam, é preciso compreender duas leis fundamentais que regem essa forma de energia: a Lei de Ohm e a Lei de Joule.

Lei de Ohm

Essa lei, formulada pelo físico e matemático de origem alemã Georg Simon Ohm, é utilizada para determinar a relação entre a tensão (V), a corrente (I) e a resistência (R) em um circuito elétrico. 

Ela é expressa pela fórmula V = R · I. Também é possível encontrá-la com a corrente isolada; nesse caso, a fórmula ficaria assim: I = V/R.

Na prática, essa fórmula nos indica como os elétrons se comportam no fio:

  • Quanto maior a tensão, maior é a corrente. Se a resistência (R) permanecer constante e você aumentar a tensão (V), mais elétrons passarão, ou seja, haverá mais intensidade ou corrente (I). Se voltarmos ao exemplo da água, seria como fazer com que mais água circulasse pelo cano.
  • Quanto maior a resistência, menor a corrente. Por outro lado, se você aumentar a resistência (R), mas a tensão (V) permanecer a mesma, a corrente elétrica será menor. Pensando na analogia com a água, seria como pisar em uma mangueira enquanto ela está funcionando. O pé exerce uma resistência sobre o tubo, o que faz com que o fluxo de água que sai diminua.

Lei de Joule

Formulada pelo físico James Prescott Joule, essa lei explica um fenômeno muito comum no dia a dia: por que os aparelhos elétricos esquentam quando estão em funcionamento. Em termos simples, quando a corrente elétrica passa por um fio ou circuito, os elétrons sofrem colisões constantes com os átomos do material condutor. Esse “atrito” gera uma energia cinética que é liberada na forma de energia térmica (calor).

No dia a dia, o efeito Joule está presente de diversas maneiras:

  • Em aparelhos e eletrodomésticos: sua aplicação é útil para que objetos tão comuns quanto uma torradeira, um secador de cabelo ou uma placa de cerâmica funcionem, aproveitando esse fenômeno.
  • Como medida de segurança: nas instalações elétricas, essa lei é levada em consideração na hora de instalar os fusíveis. Eles reagem interrompendo o fluxo de eletricidade quando a temperatura atingida é superior ao valor previamente estabelecido.
  • Mas isso também acarreta riscos: o efeito Joule explica por que um plugue derrete ou por que pode ocorrer um curto-circuito que resulte em um incêndio acidental. Estar ciente desse efeito e monitorar a temperatura dos aparelhos em uso pode ajudar a evitar um acidente.

Elementos da instalação elétrica e de segurança

Você chega em casa e acende a luz. Esse gesto cotidiano esconde uma instalação elétrica complexa, por meio da qual essa energia chega de forma segura para ser utilizada. Estes são os elementos-chave que devemos conhecer:

Quadro de distribuição

O quadro de distribuição de uma residência ou edifício concentra todos os mecanismos de controle e segurança que distribuem a corrente que chega ao imóvel. Também é conhecido coloquialmente como “quadro de luzes” e nele se encontram os disjuntores automáticos e o disjuntor diferencial, que permitem a passagem da eletricidade para as diferentes partes da instalação.

Disjuntor diferencial

A principal função do disjuntor diferencial é detectar anomalias ou fugas de corrente e interromper o fornecimento de energia elétrica. 

Pequenos interruptores automáticos (PIA) ou disjuntores termomagnéticos

Os pequenos interruptores automáticos (PIA), também conhecidos como disjuntores termomagnéticos, ficam no interior do quadro de comando e são os responsáveis por controlar a corrente que vai para os diversos circuitos da residência ou para diferentes eletrodomésticos. No quadro de distribuição, deve haver pelo menos cinco desses disjuntores para cada dispositivo diferencial e, no máximo, a mesma quantidade de circuitos elétricos instalados no edifício. Esses circuitos podem ser dedicados a eletrodomésticos específicos (geladeira, máquina de lavar, fogão por indução) ou a circuitos elétricos dentro de uma residência (iluminação, banheiro, cozinha, etc.). 

Os PIA são classificados de acordo com a intensidade de corrente que precisam proteger em cada circuito. Assim, podem variar de 10 A para instalações como as destinadas à iluminação, até 16 A ou 25 A, destinados a eletrodomésticos que exigem mais energia para seu funcionamento.

Em uma instalação elétrica, podemos encontrar diferentes tipos de condutores, cada um com uma função específica para garantir o funcionamento correto e a segurança da instalação. Para facilitar sua identificação, os condutores são diferenciados por meio de um código de cores padronizado: Fase (L): marrom, preto ou cinza; Neutro (N): azul; y Proteção ou terra (PE): verde e amarelo.

  • Condutor de fase (L): É o condutor ativo que se encontra a uma determinada tensão em relação à terra e aos demais condutores de fase; sua função é fornecer energia elétrica aos receptores da instalação. Sua identificação por cores é marrom, preto ou cinza.
  • Condutor neutro (N): é o condutor conectado ao ponto neutro da rede, que permite o retorno da corrente e o fechamento do circuito elétrico. Sua identificação padronizada é a cor azul.
  • Condutor de proteção (terra): O aterramento, também conhecido como sistema de aterramento, é um mecanismo de segurança composto por condutores que conecta a instalação elétrica à terra, permitindo o escoamento de correntes de fuga. Sua função é proteger as pessoas e os equipamentos elétricos. Sua identificação é feita pela combinação das cores verde e amarelo.

Tipos de corrente: corrente alternada e corrente contínua

A corrente elétrica é o movimento ordenado de cargas elétricas através de um condutor. Dependendo de como essas cargas se deslocam, podemos distinguir diferentes tipos de corrente: corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA). Cada uma possui características e aplicações diferentes.

Corrente alternada (CA)

Na corrente alternada, os elétrons mudam constantemente de sentido de movimento. Esse tipo de corrente permite transmitir energia elétrica de forma eficiente por longas distâncias e é utilizada em residências, indústrias e redes de distribuição.

Uma característica fundamental é a frequência, que indica o número de ciclos que a corrente realiza a cada segundo e é medida em hertz (Hz). Na Espanha, a rede elétrica opera a 50 Hz, o que significa que a corrente completa 50 ciclos por segundo.

Um exemplo de corrente alternada é aquela que alimenta as tomadas e a iluminação de nossas residências. Devido à sua alta frequência, as mudanças são imperceptíveis ao olho humano.

Corrente contínua (CC)

Na corrente contínua, os elétrons circulam sempre no mesmo sentido, de um polo ao outro da fonte de alimentação. Ela se caracteriza por manter uma polaridade fixa, com um polo positivo (+) e outro negativo (−).

Esse tipo de corrente é fornecido por pilhas, baterias, painéis solares e muitas fontes de alimentação eletrônicas. Uma de suas principais vantagens é que pode ser facilmente armazenada em baterias, o que a torna indispensável para dispositivos portáteis e sistemas de backup de energia.

Infraestrutura de energia elétrica: da geração ao consumo

Desde que é gerada em uma usina elétrica, seja de origem renovável ou não renovável, a energia elétrica percorre uma extensa rede de transmissão e distribuição antes de chegar aos consumidores.

Para que isso ocorra de forma eficiente, a tensão é elevada por meio de transformadores e a energia é transmitida por linhas de alta tensão. Posteriormente, ela passa pelas subestações elétricas e, em seguida, pelos centros de transformação. Após esse percurso, a energia é distribuída para diferentes zonas e sua tensão é adaptada progressivamente aos níveis adequados para o consumo.

Por fim, a eletricidade chega às residências, comércios e indústrias por meio da rede de distribuição, onde pode ser utilizada com segurança através de tomadas, luminárias e outros receptores elétricos.

  • Fontes de energia renováveis

    A intensa eletrificação pela qual nossa economia vem passando tem aumentado a demanda por fontes de energia que não se esgotem. Essas são as fontes de energia renováveis: recursos que existem naturalmente em nosso ambiente e são inesgotáveis, como o vento, a água ou o sol, ou que são capazes de se regenerar em um curto período, como é o caso da biomassa. 

    As principais tecnologias utilizadas para aproveitar esses recursos naturais são a energia eólica offshore e onshore, a hidrelétrica e a fotovoltaica

  • Fontes de energia não renováveis

    Em contrate com as fontes renováveis, as tecnologias que utilizam recursos finitos são classificadas como fontes de energia não renováveis. Essa categoria pode ser dividida em dois grupos: as energias fósseis e a energia nuclear. 

    Entre as energias fósseis estão o petróleo, o gás natural e o carvão, utilizados como fontes para gerar energia. Embora seu uso seja amplamente difundido, essas fontes estão associadas ao aumento das emissões de CO na atmosfera e aos impactos sobre o clima. Além disso, sua utilização tem prazo de validade, já que dependem de recursos finitos que se esgotam gradualmente. Por esse motivo, no futuro, não serão capazes de atender à crescente demanda mundial por energia.

    Também nessa categoria encontramos a energia nuclear, considerada uma fonte de energia limpa. Ela funciona por meio da liberação da energia contida no núcleo de um átomo, seja pelo processo de fissão nuclear, utilizado atualmente em escala comercial, ou de fusão nuclear, método que ainda se encontra em fase experimental.

Como a energia elétrica é produzida?

Existem várias fontes que são divididas especialmente em renováveis e não renováveis.

Fontes de energia renováveis

Ajudam a mitigar as mudanças climáticas

1 2 3 4 5 Ilustração Ilustração Ilustração Ilustração Ilustração Ilustração
1 Energía geotérmica 2 Energía eólica terrestre 3 Energía hidroeléctrica 4 Energía solar fotovoltaica 5 Energía eólica marina

Fontes de energia não renováveis

Poluentes e finitas

Ilustração

Energia nuclear

Ilustração

Energia térmica convencional (carvão, petróleo e gás natural)