Energias renováveis na agricultura

Uso de energias renováveis na agricultura e pecuária

Natureza Ação climática

A integração de energias renováveis em ambientes agrícolas e pecuários permite avançar rumo a um uso mais eficiente e sustentável do território: produzir eletricidade limpa, manter as atividades do setor primário, impulsionar a economia rural e favorecer a biodiversidade.

 
Renovables y agricultura
Parque eólico da Iberdrola El Segredal, em Astúrias (Espanha).

O aquecimento global, impulsionado principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pelas emissões de dióxido de carbono, tem um impacto prejudicial evidente sobre a natureza e a biodiversidade: interrompe os processos biológicos e degenera os ecossistemas de nosso planeta. O aumento da produção de energias renováveis e limpas, bem como o impulso à eletrificação dos usos energéticos, são essenciais para alcançar a descarbonização da economia.

Essa expansão das renováveis que estamos vivendo deve ser planejada com precisão e sensibilidade, priorizando sempre uma integração adequada ao entorno local e a preservação da biodiversidade. O desenvolvimento energético pode se tornar, dessa forma, um aliado para reduzir o impacto ambiental gerado pelos setores agrícola e pecuário e, ao mesmo tempo, dinamizar as áreas rurais onde está inserido. 

O que significa integrar as renováveis no setor primário? 

A integração de energias renováveis no setor primário permite combinar a geração de energia limpa com as atividades agrícolas e pecuárias, favorecendo um uso mais eficiente e multifuncional do território.

Algumas das principais fórmulas são:

  • Agrovoltaica = Cultivos + energia solar.

    As usinas agrovoltaicas permitem compatibilizar a produção agrícola com a geração de eletricidade por meio de instalações fotovoltaicas adaptadas às áreas de cultivo.
  • Pastoreio solar

    Pecuária e usinas fotovoltaicas. A atividade pecuária pode conviver com instalações solares, aproveitando o terreno para o pastoreio e a geração de energia renovável.
  • Apicultura e plantas aromáticas

    Biodiversidade e economia local. A incorporação de colmeias e de espécies vegetais favoráveis aos polinizadores pode contribuir para preservar a biodiversidade e gerar novas oportunidades para as comunidades rurais.
  • Autoconsumo renovável

    Eletrificação das propriedades rurais. A geração de eletricidade renovável nas próprias propriedades rurais permite cobrir parte de suas necessidades energéticas e avançar em sua eletrificação.  

Colaboração com agricultores, pecuaristas, cooperativas e proprietários

A convivência entre as renováveis e o setor primário não é apenas ambiental: também tem uma dimensão social. Para favorecer uma integração adequada, é importante contar com agricultores, pecuaristas, cooperativas e proprietários desde as primeiras fases dos projetos, levando em conta os usos tradicionais do solo e as características de cada território. Um exemplo disso é a iniciativa WineSolar, um projeto que estuda como a geração de energia renovável pode ajudar a atividade agrícola.

O diálogo e o projeto adaptado ao entorno permitem identificar oportunidades de colaboração e gerar benefícios compartilhados; e isso, por sua vez, contribui para o desenvolvimento econômico e social das comunidades rurais. Além disso, esse diálogo e a análise prévia de cada local permitem verificar que nem todos os terrenos e cultivos são adequados. É necessário avaliar fatores como o clima, as características do solo, a biodiversidade existente, a disponibilidade hídrica e as necessidades produtivas de cada propriedade rural. Também se evita intervir em áreas de alto valor ecológico para reforçar a proteção dos ecossistemas.

Por isso, a integração das renováveis no setor primário é sempre abordada de forma individualizada: para que as soluções projetadas permitam compatibilizar a geração de energia limpa, a atividade agrícola e pecuária e a conservação do entorno natural.

Vantagens da coexistência das renováveis e do setor primário

A coexistência entre as atividades do setor primário e as instalações renováveis está cada vez mais presente, com importantes vínculos para gerar uma conexão mais sustentável. O resultado? Todos os setores se beneficiam uns dos outros. Aqui estão algumas das vantagens:

  • Menos espaço necessário para uma produção eficiente

    O uso combinado do terreno melhora seu rendimento, já que a energia e os produtos agrícolas são produzidos no mesmo espaço.

  • Redução das emissões de gases de efeito estufa

    A convergência da produção energética e agropecuária permite alcançar uma produção sustentável. Além disso, alivia a pressão sobre os ecossistemas e a biodiversidade, que são os primeiros a serem afetados quando as áreas de cultivo são aumentadas.

  • Autoconsumo

    As energias renováveis no terreno podem impulsionar o autoconsumo. As fazendas agrícolas ou pecuárias podem utilizar a energia gerada pelas centrais elétricas com uma consequente redução nos custos de consumo de eletricidade.

  • Incentivo ao emprego local

    A coesão entre as energias renováveis e o desenvolvimento rural revaloriza as atividades tradicionais e estimula o desenvolvimento de negócios locais que estão direto ou indiretamente relacionados com o setor energético.

  • Economia de energia

    As propriedades agrícolas e pecuárias podem avançar rumo ao autoconsumo por meio da geração de energia renovável em seus próprios terrenos ou instalações. Isso permite reduzir a dependência da rede elétrica e otimizar os custos associados ao consumo de energia.

  • Adaptação climática

    A integração das renováveis, especialmente por meio de soluções agrovoltaicas, pode contribuir para proteger determinados cultivos diante de episódios de calor extremo. A sombra dos painéis também pode favorecer condições mais adequadas para o desenvolvimento dos cultivos ou o bem-estar dos animais.

  • Biodiversidade

    Uma gestão adequada do terreno pode contribuir para criar espaços favoráveis à biodiversidade, com medidas como a conservação de coberturas vegetais ou o fomento de habitats para polinizadores. Assim, a coexistência entre produção energética e atividade agrícola pode favorecer o equilíbrio dos ecossistemas.

Energia agrovoltaica: um exemplo de coexistência

A energia agrovoltaica, também conhecida como agrofotovoltaica, consiste em aproveitar uma mesma superfície de terreno tanto para obter energia solar quanto produtos agrícolas. Em outras palavras, as usinas fotovoltaicas convivem com os cultivos de frutas, verduras, hortaliças, cereais, entre outras. O objetivo é alcançar uma agricultura sustentável.

Vários estudos estimam que a eletricidade gerada pelos painéis solares aumenta o valor econômico das fazendas agrovoltaicas em mais de 30%, melhorando a eficiência e o rendimento da terra. Isso quer dizer que a produção dos dois setores é considerável, ocupando menos espaço.

A energia agrovoltaica e sua eficiência

Graças à aplicação combinada de agricultura e energia fotovoltaica, a eficiência do uso da terra com o sistema agrovoltaico é de 186%.

Uso separado do terreno de cultivo

1 hectare de cultivo

1 hectare de placas solares

Illustration

100% produto agrícola

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100% electricidade solar

Uso combinado do terreno de cultivo

1 hectare de cultivo

e placas solares

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103% produto agrícola + 83% electricidade solar

Renováveis e pecuária: uma união benéfica

São vários os benefícios da combinação de energias renováveis e da pecuária. Por um lado, os criadores de gado se beneficiam da presença de extensos pastos, onde seus animais podem se alimentar de forma segura. Isso porque a vegetação ao redor das instalações de energia está livre de pesticidas e outros produtos químicos. Além disso, a sombra que as estruturas, como as fotovoltaicas, projetam no solo proporcionam um bom espaço para que os animais se protejam do sol direto, da chuva ou do vento.

Por outro lado, os produtores de energia têm a garantia de manutenção da terra. O pasto permite o controle do crescimento da vegetação, por exemplo, no caso de rebanhos de ovelhas que removem ervas daninhas e evitam o uso de máquinas.

Mais de 1.200 ovelhas pastam nos terrenos da planta fotovoltaica de Núñez de Balboa (Espanha), permitindo que a espécie vegetal cresça de forma rotativa. Trata-se de um espaço onde a natureza, o gado e a produção solar coexistem. Durante os meses de mais calor, os animais descansam na sombra das placas.

Outras iniciativas focadas no desenvolvimento rural

A combinação de usinas de produção de energia renovável com atividades relacionadas ao campo se estende além da agricultura e da pecuária para outras atividades como a apicultura ou o cultivo de ervas aromáticas.

A Iberdrola já instalou mais de 300 colmeias em instalações fotovoltaicas no sul da Espanha, como Nuñez de Balboa (Badajoz) e Andévalo (Huelva). Essas iniciativas geram zonas ecológicas que permitem o estudo de como o cultivo de plantas aromáticas, como o eucalipto, o alecrim ou o tomilho, aumenta a qualidade do mel. Aliás, em 2022, parte deste produto ecológico produzido na usina fotovoltaica Campo Arañuelo III (Cáceres) foi colhido pela primeira vez. Isso, como os outros projetos, gera ecossistemas sustentáveis e uma combinação benéfica para o meio ambiente.

Projetos da Iberdrola que conectam as renováveis ao mundo rural 

A integração das energias renováveis no meio rural permite desenvolver novos modelos que combinam a produção de energia limpa com atividades agrícolas, pecuárias e apícolas. Na Iberdrola, impulsionamos diferentes iniciativas para favorecer essa convivência e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico dos territórios, ao mesmo tempo em que protegem e melhoram sua biodiversidade. Essas ações integram o Programa Convive, que reúne iniciativas e alianças destinadas a favorecer a convivência entre as renováveis, o desenvolvimento local e a conservação da natureza.

Winesolar em Guadamur

Nos vinhedos da González Byass e do Grupo Emperador, em Guadamur (Toledo), lançamos a WineSolar, a primeira usina agrovoltaica inteligente da Espanha. Seus rastreadores solares, controlados por meio de um algoritmo de inteligência artificial, adaptam a posição dos painéis às necessidades das videiras para regular a incidência do sol e a temperatura. A instalação, de 40 kW, é destinada ao autoconsumo das vinícolas e contribui para melhorar a eficiência do terreno, reduzir o consumo de água e aumentar a resistência do cultivo diante das altas temperaturas.

Agrovoltaica na França

Também desenvolvemos projetos de inovação agrovoltaica na França para estudar como combinar a geração solar com as atividades agrícolas e pecuárias. Os quatro projetos selecionados, com uma capacidade conjunta de 12 MW, nas licitações de inovação em energias renováveis lançadas pelo Ministério francês da Transição Energética, contemplam soluções adaptadas às necessidades de cada propriedade rural, desde a melhoria do bem-estar animal até a proteção e a otimização de diferentes cultivos.

Primeira agrovoltaica do País Basco

Com a Iberdrola España, aplicando seu propósito de promover a convivência entre as energias renováveis e a biodiversidade e sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico, construiremos uma nova usina agrovoltaica em Álava (País Basco) que será destinada a impulsionar o cultivo de maçãs para a produção de sidra de alta qualidade e a gerar energia elétrica renovável. Foi o único projeto de caráter agrovoltaico do País Basco selecionado na primeira chamada dos programas de ajudas ao investimento em projetos inovadores de energias renováveis e armazenamento.

Pastoreio em Núñez de Balboa 

A atividade pecuária pode conviver com as instalações fotovoltaicas por meio do pastoreio controlado. Na usina de Núñez de Balboa, localizada na Extremadura e uma das maiores usinas fotovoltaicas da Europa, mais de 1.200 ovelhas pastam de forma rotativa nos terrenos da instalação, contribuindo para a manutenção da vegetação. Por sua vez, as estruturas fotovoltaicas proporcionam áreas de sombra que podem oferecer abrigo aos animais contra o sol, a chuva ou o vento. Em termos humanos, com 500 MWp de capacidade instalada, esta instalação permite fornecer energia limpa a 250.000 casas.

Mel solar e colmeias em usinas fotovoltaicas

 

A apicultura é outra das atividades que integramos em nossas instalações renováveis. Em Campo Arañuelo III, em Cáceres, o Grupo Iberdrola e a Tesela Natura colheram pela primeira vez mel ecológico produzido a partir de 40 colmeias instaladas junto aos painéis fotovoltaicos. Além disso, na Iberdrola, instalamos mais de 300 colmeias em instalações fotovoltaicas no sul da Espanha, como Núñez de Balboa (Badajoz) e Andévalo (Huelva), demonstrando como esses espaços podem proporcionar um ambiente adequado para as abelhas e favorecer a polinização e a biodiversidade.

Projetos em Portugal com colmeias

Em Portugal, instalamos 30 colmeias, distribuídas em partes iguais entre as usinas fotovoltaicas Conde e Algeruz II, no distrito de Setúbal, por meio de um acordo de colaboração com um apicultor local. Além de produzir mel, as abelhas atuam como polinizadoras em um raio de pelo menos um quilômetro ao redor de suas colmeias. São trabalhadoras incansáveis que promovem a manutenção da biodiversidade da flora local. A ação foi desenvolvida no âmbito do Plano Ambiental da Iberdrola para promover e preservar a biodiversidade e fomentar a economia circular.

Biodiversidade e desenvolvimento rural

Com o objetivo de alcançar um sistema capaz de sustentar o aumento da demanda de energia de forma sustentável, eficiente e neutra em emissões, na Iberdrola também colocamos em prática o Plano de Biodiversidade 2030. Por meio dele, buscamos contribuir a partir de uma perspectiva de conservação, evitando instalações em áreas de alto valor ecológico, reduzindo a poluição e restaurando habitats afetados. Um exemplo é o projeto East Anglia One, onde foi realizada a instalação de dois contêineres flutuantes que servem para coletar o plástico e parte dos óleos, detergentes ou combustíveis que flutuam nas proximidades do porto de Lowestoft. Também foi desenvolvido um projeto liderado pela ScottishPower, subsidiária do Grupo Iberdrola no Reino Unido, para o plantio de árvores na Escócia com o objetivo de melhorar os espaços naturais, fomentar a biodiversidade e gerar benefícios sociais de longo prazo.