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Baterias stand-alone: Armazenamento de energia para a independência elétrica

Sistemas de armazenamento de energia (BESS): conceitos fundamentais e operação off-grid

Autoconsumo fotovoltaico Armazenamento energético Energias renováveis

As baterias stand-alone estão transformando a forma como a energia elétrica é armazenada e consumida, proporcionando verdadeira independência energética por meio de fontes renováveis para residências, empresas e comunidades. Ao preencher a lacuna entre a geração renovável e a demanda em tempo real, esses sistemas garantem um fornecimento contínuo de eletricidade e viabilizam o abastecimento em redes isoladas (off-grid) do sistema elétrico. De pequenos municípios a grandes instalações industriais, os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) stand-alone estão se consolidando como elemento essencial para um futuro energético confiável, sustentável e autônomo.

BESS
Um Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) da Iberdrola.

O que é uma bateria stand-alone e como funciona em um sistema isolado?

Uma bateria stand-alone tem a função de armazenar energia elétrica e fornecê-la aos usuários conforme a demanda. Esses sistemas são especialmente importantes em locais remotos ou fora da rede, e se forem combinados com fontes renováveis locais, uma vez que garantem energia verdadeiramente autônoma quando essas fontes não estão gerando eletricidade.

O conceito de autonomia energética refere-se à capacidade de uma residência, empresa ou mesmo de toda uma comunidade de gerar, armazenar e consumir sua própria energia, minimizando assim a dependência da rede elétrica externa ou de suprimentos baseados em combustíveis fósseis, como geradores a diesel ou gasolina. As baterias autônomas são fundamentais nesse processo, pois compensam a diferença entre a produção de energia e seu fornecimento quando necessário, assegurando ainda a continuidade do serviço.

As baterias stand-alone desempenham um papel central nos Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS), que consistem em uma série de baterias recarregáveis conectadas entre si, associado a unidades de controle, conversores e invólucros, entre outros componentes, que gerenciam de forma segura o armazenamento e a entrega de energia elétrica.

Baterias fora da rede, híbridas e conectadas à rede: qual é a diferença?

Este artigo aborda sistemas elétricos totalmente isolados da rede elétrica, mas antes é importante diferenciar entre os três tipos mais comuns de instalações com baterias:

Instalações fotovoltaicas com baterias fora da rede

Este sistema é completamente independente do sistema elétrico convencional, baseando-se em painéis solares e baterias para o fornecimento de energia. São normalmente utilizados em residências remotas, propriedades rurais, torres de telecomunicações ou ilhas onde não há acesso à rede.

Instalação híbrida com bateria

Este sistema de baterias é carregado por painéis solares, mas também está conectado à rede. Desta forma, o consumidor pode obter fornecimento quando não há geração solar ou quando a bateria estiver descarregada, além de poder injetar a energia excedente na rede. O sistema também oferece respaldo durante cortes de energia e contribui para reduzir custos, já que permite carregar a bateria em horários de menor demanda ou períodos de elevada produção renovável e, consequentemente, de preços mais baixos. É comum em residências, pequenas e médias empresas, comunidades semirrurais, instalações agrícolas e infraestruturas críticas, como hospitais e sistemas de telecomunicações. 

Bateria conectada à rede

Esse modelo é carregado exclusivamente da rede elétrica e não depende de fontes renováveis como a solar, sendo frequentemente denominado bateria stand-alone. Esse tipo de sistema é utilizado principalmente para aproveitar a energia mais barata durante períodos de excesso de produção renovável e, portanto, de preços baixos, que é depois liberada nos horários de maior custo. É típico em residências urbanas, escritórios ou demais edifícios comerciais.

A tecnologia por trás dos BESS: componentes essenciais para o autoconsumo em sistemas isolados

Um Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) é uma solução integrada que armazena energia elétrica. Normalmente é composto por um conjunto de baterias, dispositivos de controle para a entrada e saída de energia e sistemas que otimizam fatores como eficiência e planejamento do uso.

Em um sistema isolado ou off-grid, o sistema BESS atua como a estrutura central do fornecimento de energia para consumidores que não têm acesso a uma rede centralizada convencional. Nesse contexto, o sistema funciona como o principal meio de armazenamento e o regulador da geração local, sendo frequentemente combinado com fontes renováveis, como painéis solares e/ou turbinas eólicas. Ao contrário dos sistemas BESS conectados à rede, trata-se essencialmente de um mini sistema energético implantado em um ambiente isolado.

VER INFOGRÁFICO: Sistema de armazenamento de energia fora da rede (BESS): componentes essenciais [PDF]

Vantagens, desvantagens e potencial das soluções stand-alone

Os sistemas autônomos representam um caminho estratégico para ampliar a autonomia e a resiliência energética. Eles permitem que os usuários gerem, armazenem e gerenciem sua própria energia de forma independente da rede, geralmente por meio de fontes renováveis como a solar, a eólica e até a hidrelétrica. Embora apresentem vantagens e desvantagens, a evolução tecnológica tem ampliado significativamente o valor e o desempenho das soluções stand-alone.

Vantagens das baterias autônomas

Sustentabilidade

Um sistema autônomo não só proporciona autonomia energética, mas também pode ser configurado para funcionar com fontes renováveis, como solar, hidrelétrica e eólica.

Otimização do uso de energia

A gestão inteligente possibilita maior eficiência em comparação com uma conexão convencional à rede.

Modularidade

Os sistemas BESS autônomos podem se adaptar a qualquer tamanho de instalação, de acordo com as necessidades do usuário final.

Monitoramento remoto

Os avançados sistemas de software permitem a supervisão à distância, desde que exista conexão à internet.

Redução nos custos de instalação

A popularização dos sistemas BESS faz com que os custos de instalação diminuam progressivamente, reduzindo o investimento inicial necessário.

Segurança do fornecimento

Dispor de BESS — em sistemas isolados ou não — garante um fornecimento elétrico ininterrupto, aumentando a confiabilidade do sistema.

Desvantagens e desafios das baterias autônomas

Alto investimento inicial

Embora ainda seja necessário um investimento financeiro inicial, os avanços tecnológicos vêm reduzindo gradualmente os custos de instalação.

Degradação da bateria

Como em qualquer bateria, a capacidade de armazenamento diminui com o tempo conforme os ciclos de carga e descarga, o que pode gerar custos adicionais de substituição e de gestão no fim da vida útil. Os avanços tecnológicos, porém, têm prolongado a vida útil dessas baterias.

Variabilidade do desempenho

Fatores externos, como condições ambientais extremas, podem afetar o funcionamento do sistema. Os sistemas de isolamento são projetados para preservar a funcionalidade das baterias stand-alone nessas situações.

Segurança

Os avanços na engenharia e no design dos sistemas BESS estão conseguindo reduzir drasticamente a taxa de falha desses equipamentos, bem como o superaquecimento térmico, que é o risco mais sensível desses equipamentos. Os sistemas de segurança asseguram a estabilidade e a proteção dessas instalações.

Potencial das baterias stand-alone

Em comunidades remotas, locais turísticos fora da rede, ilhas ou qualquer infraestrutura sem acesso ao fornecimento elétrico, as soluções BESS stand-aloneapresentam um enorme potencial. Este potencial crescerá ainda mais à medida que a tecnologia evoluir e os custos diminuírem, mitigando grande parte das desvantagens atuais.

Esses sistemas devem ser combinados com fontes renováveis, como solar ou eólica, para oferecer autonomia e sustentabilidade energética. Quando conectados à rede, permitem reduzir custos ao serem carregados em períodos de baixa demanda, como durante a noite ou durante o dia em períodos de excesso de geração solar. Recursos avançados, como controle por inteligência artificial e manutenção preditiva, aumentarão ainda mais a eficiência, a confiabilidade e o valor ambiental dessas soluções.

Aplicações reais: onde e como as baterias stand-alone são utilizadas

Os sistemas de baterias autônomas estão sendo cada vez mais usados em locais onde um fornecimento confiável de eletricidade é essencial, mas difícil de garantir. Sua versatilidade faz com que esses sistemas sejam adequados para múltiplas situações: desde comunidades remotas até locais industriais distantes da rede elétrica principal.

Ees também são essenciais em aplicações de emergência e resiliência, assegurando a continuidade do serviço durante apagões ou eventos climáticos extremos. Esses exemplos demonstram como as baterias autônomas proporcionam autonomia, estabilidade e operação rentável onde as conexões convencionais são limitadas ou inexistentes.

Armazenamento em sistemas isolados: de áreas rurais a sistemas críticos de respaldo

O Grupo Iberdrola está comprometido com o desenvolvimento de projetos inovadores de armazenamento de energia como parte de seu impulso para acelerar a eletrificação global. A eletrificação é um dos desafios do século XXI, e armazenar energia de maneira eficiente desempenha um papel decisivo nesse processo.

A Iberdrola España já instalou baterias de grande escala em suas usinas renováveis, como em Cuenca, onde a usina solar de Olmedilla conta com um sistema BESS com capacidade de 25 MW/2h, ou na represa de Valdecañas (Cáceres), onde uma bateria híbrida contribui para otimizar o funcionamento da usina hidrelétrica. 

A empresa também tem direcionado esforços para soluções de baterias autônomas voltadas a comunidades remotas. A i-DE, distribuidora da Iberdrola na Espanha, instalou uma bateria para garantir proteção contra apagões aos 300 habitantes do isolado município de Valcarlos, localizado em Navarra.

Valcarlos, na fronteira com a França, é uma das áreas mais despovoadas dos Pireneus navarros, com condições meteorológicas extremas, como fortes nevascas e terreno de difícil acesso. A bateria instalada tem 1,2 MW de potência e 4 MWh de capacidade de armazenamento.

Além da Espanha, a Neoenergia, subsidiária brasileira do Grupo Iberdrola, iniciou em 2025 a construção de um projeto solar de 22 MWp com uma bateria integrada de 49 MWh em Fernando de Noronha. O arquipélago, declarado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e pertencente ao estado de Pernambuco, a 500 quilômetros da costa nordeste do Brasil, conta com aproximadamente 3 mil habitantes, além dos milhares de turistas que o visitam todos os anos. Atualmente, sua eletricidade é gerada pela queima de combustíveis em uma usina termelétrica. O plano prevê a instalação de mais de 30 mil painéis solares fotovoltaicos integrados a sistemas BESS, com o objetivo de descarbonizar a geração de energia do arquipélago durante o primeiro semestre de 2027. Os 49 MWh fornecidos pelas baterias equivalem ao consumo de 9 mil residências no continente.

Casos inovadores em eletrificação de áreas de difícil acesso

Um claro exemplo de eletrificação em uma área de difícil acesso é a Fekola Hybrid Power Station, no Mali. Esta usina, que abastece uma mina de ouro remota, combina geração solar, um sistemaBESS de íons de lítio e geração térmica para garantir fornecimento contínuo em uma região onde expandir a rede elétrica convencional seria extremamente caro.

O sistema de baterias não apenas armazena o excesso de energia solar para uso em períodos de baixa irradiação, mas também estabiliza a rede, garantindo operações ininterruptas da infraestrutura crítica da mina. Essa abordagem híbrida demonstra como o armazenamento avançado pode proporcionar autonomia, resiliência e sustentabilidade em locais difíceis de eletrificar, servindo de modelo para instalações industriais remotas e comunidades isoladas em todo o mundo.

Regulamentação e futuro do armazenamento: o que você precisa saber 

As regulamentações internacionais sobre baterias stand-alone estão evoluindo rapidamente para cobrir todo o ciclo de vida desses sistemas, com ênfase crescente na sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade social da cadeia de suprimentos. Na União Europeia, o Regulamento 2023/1542 substitui a Diretiva 2006/66/CE e estabelece normas uniformes e vinculantes para todos os agentes envolvidos: desde a fabricação e a concepção até a gestão de resíduos e a obrigação de reciclagem, o que é conhecido como Battery Passport

No âmbito global, à medida que a eletrificação e o armazenamento avançado ganham protagonismo, as regulamentações tendem a priorizar a gestão responsável e eficiente das baterias. Países como Estados Unidos, China, Japão e Coreia já consolidaram marcos regulatórios que impõem limites rigorosos ao uso de substâncias perigosas, definem normas de eficiência para reciclagem e instituem sistemas de coleta “take-back” para baterias esgotadas. A tendência é harmonizar normas para facilitar a livre circulação comercial, garantir a rastreabilidade e promover a integração de baterias em soluções off-grid ou renováveis, sempre sob critérios de segurança e durabilidade.

Enquanto isso, grandes projetos de armazenamento em baterias já estão em execução.

Na China, em julho de 2025, foi lançada a primeira fase de um enorme projeto de baterias autônomas em Xinjiang (Kashgar) da Huadian. São 100 unidades LFP, 500 MW de potência e 2 GWh de capacidade, que se espera que duplique para 1 GW e 4 GWh quando estiver concluído.

Mais instalações em grande escala estão a caminho. De acordo com o Financial Times, em 2022 existia apenas uma instalação de 1 GWh no mundo; em outubro de 2025, esse número já havia chegado a 42. A previsão é que o total de projetos em escala de gigawatts se multiplique por cinco nos próximos anos, em locais tão diversos como o Reino Unido, Chile, Países Baixos e Filipinas.

Sejam de pequeno ou grandes porte, os sistemas de armazenamento em baterias estão destinados a desempenhar um papel central na eletrificação da economia, na descarbonização do setor elétrico e na integração em larga escala das energias renováveis.