ENTREVISTA A OS FUNDADORES DE SKYQRAFT

"Nosso objetivo é revolucionar a inspeção de infraestruturas e torná-la mais segura, eficiente e sustentável"

David Almroth, Umar Chughtai e Sakina Turabali são exemplos de como é possível empreender de forma sustentável e com sucesso. Estes três jovens da Suécia, Paquistão e Sri Lanka sonhavam com o fato de que a inspeção de instalações elétricas pudesse ser realizada de maneira mais eficiente e, especialmente, de uma forma menos daninha para o meio ambiente. Com essa ideia, fundaram a Skyqraft, a start-up que venceu o primeiro Start-up Challenge lançado pelo grupo Iberdrola, Resiliência aos desastres naturais.

Eles se conheceram em Estocolmo em uma empresa internacional aceleradora de start-ups e capital de risco. Depois disso, decidiram se unir em uma incubadora: foi assim que surgiu a Skyqraft. Nesta entrevista, nos contam por que decidiram participar do Start-up Challenge e o que significou para eles terem sido os ganhadores.

Então, exatamente de que se trata o projeto que lhe permitiu ganhar o Start-up Challenge da Iberdrola?

Trata-se de inspecionar a rede elétrica e de gás de Nova Iorque na área de Brewster (EUA) usando aeronaves não tripuladas, para reunir imagens e vídeos para detectar qualquer risco às linhas, tanto antes quanto depois de uma tempestade. A solução incluirá:

 Vídeos HD de 360 graus.

 Imagens de alta resolução dos ativos inspecionados.

 Um mapa automatizado que identifica todas as informações da inspeção.

 Avaliação mais rápida de danos e imagens aumentadas para melhorar o planejamento e a recuperação do serviço após uma tempestade.

Como vocês chegaram a essa solução?

Queríamos tornar este setor mais sustentável, o que não é definitivamente o caso quando se usam helicópteros para a inspeção. Em um cálculo simples, descobrimos que os helicópteros de hoje têm uma emissão de CO2 de 500-700 g/km (3-5 vezes mais alta que a dos carros a diesel). Queremos mudar isso. Portanto, estamos voando aeronaves não tripulados que usam imagens de alta qualidade e vídeos de 360 graus e inspecionam tanto a rede de distribuição quanto a de transmissão. Mas nossa meta futura é ainda maior: fornecer a nossos clientes um sistema de avaliação de riscos usando aprendizado de máquina, de forma que quaisquer ameaças à rede sejam detectadas automaticamente.

Essa solução foi solicitada por nossos clientes e cada recurso foi construído a partir da comunicação frequente com nossos clientes e do entendimento de suas necessidades para a solução. Afinal, queremos criar um serviço que necessitem e desejem usar. Construir algo que achamos que necessitam e depois convencê-los a comprar nosso serviço é algo que queremos evitar fazer desde o início.

Como a inteligência artificial e o aprendizado de máquina melhoram a inspeção de instalações elétricas?

Seres humanos cometem erros. Imagine ver centenas de horas de vídeos e fotos entediantes de linhas elétricas e descobrir falhas ou danos naquela linha. Agora, imagine um software de aprendizado de máquina que sugere todos os problemas nos quais um inspetor humano deveria dar uma olhada. Dessa forma, o ser humano pode fazer um trabalho mais qualificado e significativo, que é reconhecer os problemas como reais ou não. O sistema de aprendizado de máquina melhorará com o tempo e ajudará os inspetores humanos a descobrir mais problemas com maior precisão.

O machine learning ou aprendizado de máquina economizará tempo, esforço e será eficiente em todos os níveis de inspeção.

Trabalham com drones para inspecionar as infraestruturas de maneira mais sustentvel e eficiente.#RRSSTrabalham com drones para inspecionar as infraestruturas de maneira mais sustentável e eficiente.

Por que vocês decidiram participar do Start-up Challenge?

O desafio da Iberdrola não é simplesmente outro desafio do qual participamos. Este desafio era interessante porque nos deu um cliente real. Isso definitivamente vale um prêmio! Para um start-up jovem como nós, tem tudo a ver com aprendizados. O mercado dos EUA hoje é um dos maiores mercados para inspeções de rede. Portanto, esse piloto contribui muito e nos ajuda a entender como as inspeções são feitas em um mercado que não é o nosso, a saber as expectativas que o cliente tem do nosso serviço e, mais importante, a construir relações e assegurar qualquer contrato no futuro.

Isso também nos ajuda a construir um serviço global que já podemos expandir.

O que ser selecionada significou para vocês? Como isso vai estimular o seu projeto e levar sua empresa adiante?

Vencer este desafio acelerou nossa meta de expandir-nos para o mercado dos EUA. Isso, para uma start-up, especialmente neste setor, poderia exigir muito tempo e esforço. O que nem sempre a start-up tem quando os competidores começam a aparecer. O mercado dos EUA hoje é um dos maiores mercados para inspeções de rede, alcançando USD 658 milhões. Estamos tão emocionados e animados de voar para a rede elétrica e de gás de Nova Iorque no ano que vem!

Depois de vencer o desafio da Iberdrola e encerrar nossa segunda jornada de investimentos ao mesmo tempo, estamos enfocando agora o desenvolvimento do nosso software de aprendizado de máquina para detectar ameaças automaticamente, com os primeiros recrutas começando em breve. Dessa forma, escalar para o mercado dos EUA e outros mercados nos dá uma vantagem competitiva muito forte.

Como vocês acham que iniciativas como o programa internacional da start-ups de Iberdrola (Perseo) pode ajudar as start-ups e novas empresas?

Iniciativas como esta ajudam as start-ups a acessar o ecossistema da Iberdrola e ajudam a acessar o know-how e as principais tecnologias do mercado. O que seria muito complicado para as start-up de outra forma. Ele ajuda com programas-piloto a acessar grandes volumes de dados e testar tecnologias em um ambiente real. A Iberdrola também pode investir no futuro.

Não é apenas a start-ups que se beneficia com esses desafios: é o cliente e, mais importante, o meio ambiente, considerando o problema de sustentabilidade que estamos enfrentando atualmente.

Gostaríamos de saber mais sobre sua start-up. Qual é a linha de trabalho?

A Skyqraft fornece inspeções inteligentes de infraestruturas usando aeronaves não tripuladas para reunir imagens para detectar qualquer risco às redes elétricas automaticamente.

Trata-se de uma start-up jovem de Inteligência Artificial (AI) com financiamento que se concentra na coleta aérea de dados para a inspeção de infraestruturas. Ao usar aviões não tripulados, a Skyqraft pode coletar grandes volumes de imagens, que serão usados como informação em um sistema de avaliação de riscos baseado no aprendizado de máquina.

Aspiramos a revolucionar o mercado de inspeção de infraestruturas, tornando-o mais seguro, mais eficiente e, mais importante, sustentável.

A Skyqraft é a primeira empresa na Suécia com licença para voar aeronaves com asas fixas além da linha visual de visão.

Como vocês começaram a start-up?

Nós 3 iniciamos a empresa em janeiro de 2019. Não faz muito tempo, mas um ano em uma start-up corresponde a sete anos em uma empresa normal, dizem. Então, nos sentimos assim!

Todos nos conhecemos da Antler —geradora global de start-ups e capital de risco de primeiro estágio—, em Estocolmo (Suécia) e já em novembro entramos na incubadora para começar uma empresa juntos. Surpreendentemente, não nos conhecíamos antes de entrar no programa. Desde novembro, passamos muito tempo juntos, só para nos conhecermos e encontrar a química. Avaliamos nossos diferentes tipos de habilidades, históricos e experiências e sentamos para fazer um brainstorming sobre diversas ideias. Neste ambiente criativo, nasceu a Skyqraft.

David Almroth, um dos scios fundadores, com um dos seus drones.#RRSSDavid Almroth, um dos sócios fundadores, com um dos seus drones.

Vocês podem contar algo mais de vocês? De onde vocês são? Como se conheceram? Têm experiência prévia em start-ups ou outros projetos empresariais?

A escolha de usar drones de longo alcance para inspeções de redes elétricas surgiu porque Umar Chugtai, que é do Paquistão, trabalhou com drones e estudou Engenharia Aeroespacial na Suécia.

David Almroth, que é originalmente da Suécia, trabalhou com redes elétricas antes e passou 20 anos no desenvolvimento de software; Também teve sua própria start-up em 2012.

Sakina [Turabali] é de Sri Lanka e se mudou para Estocolmo há seis anos. Ela tem ampla experiência em marketing e vendas e desempenhou um grande papel em uma start-up de muito sucesso, a Truecaller, na Suécia, desenvolvendo a empresa de start-up a grande escala.

Vocês são uma equipe muito diversa e multidisciplinar. Isso os beneficiou de alguma forma?

Definitivamente, acho que de verdade a diversidade é nosso molho secreto. Como vimos de diferentes backgrounds, nunca pensamos igual, temos pensamentos muito conflituosos e diferentes tipos de pensamento. Portanto, saem muitas ideias inovadoras quando estamos juntos.

A diversidade nos ajudou a melhorar amplamente nosso produto/serviço. A comunidade, o ambiente, como fomos criados, a música que ouvimos, as pessoas com quem convivemos, todas essas coisas são diferentes. Isso significa que já estamos criando um serviço que serve melhor a diferentes culturas.

Ter uma mulher fundadora também nos ajudou a assegurar investimentos na empresa e sua atitude em relação à colaboração, em vez de apenas olhar para a concorrência, realmente impulsiona o negócio.

Quais são seus próximos projetos?

Nosso próximo projeto é, naturalmente, construir nosso sistema de aprendizado de máquina e construir um software que preveja danos à rede automaticamente, usando o aprendizado de máquina, e expandir rapidamente por toda a Suécia, Finlândia e EUA.