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Eletrificação de portos

O que é a eletrificação de portos e quais são os principais pontos para a descarbonização do setor?

A eletrificação dos portos será determinante para a transição energética do transporte marítimo. Apesar de ser um modal logístico altamente eficiente e sustentável em comparação com outros meios de transporte, o setor ainda enfrenta desafios em termos de gestão e fontes de energia utilizadas para reduzir suas emissões. Soluções como os sistemas OPS (Onshore Power Supply) abrem um caminho promissor para o setor.

Imagem do pioneiro estudo da ScottishPower na área de energia eólica offshore: Eletrificação das embarcações de serviço.

O transporte marítimo desempenha uma papel fundamental na cadeia de suprimentos de diversos setores, sendo indispensável para o comércio internacional e o transporte de passageiros, seja em trajetos de curta, média ou longa distância. Atualmente é a forma mais eficiente e econômica de transportar grandes volumes de mercadorias ecargas de amplas dimensões em escala global, com menor pegada de carbono por tonelada transportada em comparação com outros modais.

No entanto, a atividade desse setor continua responsável por uma parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), considerando todo o percurso de uma embarcação, desde o porto de origem até seu destino, incluindo o tempo de permanência em cada um dos terminais.

Nesse contexto, a eletrificação do transporte marítimo, começando pelos portos, representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade na transição para um futuro energético mais descarbonizado, eficiente e seguro.

Um relatório do Fórum Internacional de Transporte prevê que, se nenhuma medida for tomada, as emissões de CO2 provenientes de embarcações podem atingir 1,09 bilhão de toneladas por ano até 2035. Somente na União Europeia, a atividade marítima e portuária gerou 137,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2022, o equivalente a 14,2% das emissões do setor de transportes, quase igualando o impacto da aviação.

Desde 2024, a União Europeia estabelece metas de descarbonização progressiva para o setor marítimo e, a partir de 2030, torna obrigatória a eletrificação da demanda energética das embarcações durante a atracação.

Como as novas tecnologias estão impulsionando a eletrificação dos portos?

A modernização e eletrificação dos portos são vetores estratégicos da transição energética no transporte marítimo, uma vez que viabilizam uma gestão energética mais eficiente, limpa e autônoma. Embora a eletrificação integral das embarcações — sejam de turismo, carga ou pesca — ainda apresenta custos elevados, já estão sendo implementadas diversas soluções em terra, com impacto direto na redução de emissões e de ruídos para melhorar a qualidade de vida das comunidades do entorno.

Um exemplo é a tecnologia de fornecimento de energia elétrica em terra, conhecida como Cold ironing ou OPS (Onshore Power Supply). Essa solução permite que o porto disponha de infraestrutura capaz de adaptar a tensão e a frequência da rede elétrica às especificações da embarcação, fornecendo energia enquanto ela permanece atracada.

Isso permitiria que os motores auxiliares dos navios, responsáveis por manter continuamente sistemas de refrigeração, climatização, iluminação, carga, descarga e equipamentos de emergência, pudessem ser desligados e reduzissem as emissões de atmosféricas e a poluição sonora.

Outra forma de acelerar a descarbonização dos terminais é a eletrificação dos equipamentos de manuseio de carga (Container Handling Equipment – CHE), usados para movimentar contêineres dentro e fora dos navios nos portos de carga. A frota global desses equipamentos supera 120 mil unidades. Portanto, sua substituição do diesel por fontes limpas pode gerar um enorme impacto na criação de portos mais sustentáveis.

As microrredes e as redes inteligentestambém desempenham um papel fundamental na integração de fontes renováveis, no controle da demanda em tempo real e na garantia de um fornecimento constante de energia, mesmo em momentos de alta carga. Além disso, os sistemas de armazenamento de energia por bateria (BESS) permitem armazenar o excesso de energia gerada – por exemplo, durante as horas de pico de sol ou vento – e usá-la quando necessário, otimizando o consumo e reduzindo a dependência da rede central.

Por último, o uso emergente de combustíveis como o hidrogênio verdeou o metanol verdeoferece alternativas sustentáveis para navios e máquinas pesadas, consolidando uma transição energética abrangente nos portos.

Qual é o impacto da eletrificação do setor portuário?

A eletrificação dos portos tem um impacto transformador em escala global, sendo capaz de reduzir drasticamente as emissões poluentes geradas pelos navios atracados e pelos equipamentos portuários.

Além de contribuir para a descarbonização do setor e reduzir seu impacto ambiental, a medida traz benefícios diretos à saúde dos trabalhadores e das comunidades que vivem próximas às áreas portuárias, com a diminuição de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Para o setor, representa uma oportunidade estratégica de modernizar suas operações, reduzir os custos operacionais de longo prazo por meio do uso de energia limpa e cumprir as normas ambientais cada vez mais rigorosas. Também fomenta a inovação tecnológica e abre as portas para novos investimentos em infraestrutura inteligente, como microrredes, sistemas de armazenamento e estações de recarga rápida.

Essas soluções também podem ser complementadas por sistemas de geração solar fotovoltaica para autoconsumo, que permitem produzir energia 100% renovável nas coberturas dos próprios edifícios portuários, gerando economias significativas nas contas de eletricidade.

Como a Iberdrola está promovendo a eletrificação e a descarbonização dos portos?

  • A Iberdrola vem se posicionando há anos como um aliado de referência no desenvolvimento de instalações OPS ou Cold ironing na Espanha, com projetos importantes em portos como os de Vigo, Alicante ou Pasaia, cuja entrada em operação está prevista para 2026. A eletricidade da rede com que estas novas infraestruturas elétricas abastecem os navios atracados — em substituição da produzida pelos seus motores auxiliares, alimentados por combustíveis fósseis — provém, nos projetos da empresa elétrica, de fontes 100% renováveis. Isso amplifica ainda mais o resultado da redução das emissões poluentes, além das próprias zonas portuárias, o que, somado à redução da poluição sonora, gera um impacto positivo visível, mensurável e notável.
  • O papel ativo da Iberdrola na eletrificação dos portos se reflete também na aliança da nossa empresa Iberdrola España com a Marinas de España. O acordo promove a eletrificação das marinas no país com o objetivo de reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis e impulsionar uma transição para uma atividade náutica sustentável.
  • Outra iniciativa de destaque do Grupo Iberdrola, alinhada com o objetivo de descarbonizar as operações marítimas, é liderada por nossa empresa no Reino Unido, a ScottishPower. Em colaboração com a Stillstrom, a ScottishPower Renewables apresentou o estudo pioneiro Electrification of Service Vessels, que demonstra a viabilidade técnica, econômica e operacional do uso de embarcações operacionais movidas a baterias elétricas para a manutenção de parques eólicos offshore.

    Esses navios, que poderiam ser carregados diretamente com a energia gerada pelas próprias turbinas eólicas, permitiriam a operação sem emissões por até 18-19 horas por dia, reduzindo significativamente os gases de efeito estufa.

Quais são os desafios enfrentados pela eletrificação do transporte marítimo?

A eletrificação de navios comerciais em larga escala ainda é um desafio a ser resolvido. No entanto, algumas iniciativas bem-sucedidas já estão demonstrando o potencial de inovação do setor. É o caso, por exemplo, do Yara Birkeland, o primeiro navio de carga 100% elétrico do mundo, que iniciou suas operações comerciais na Noruega em 2022. Outro exemplo é o navio porta-contêineres chinês Green Water 01, com capacidade para transportar 10 mil toneladas usando apenas energia elétrica.

A seguir, listamos alguns dos principais desafios enfrentados pela eletrificação do transporte marítimo, que, por sua vez, se tornaram oportunidades.

Desafíos técnicos:

Aumento da capacidade das baterias

As baterias atuais ainda não oferecem autonomia suficiente para alimentar grandes navios que realizam travessias oceânicas sem a possibilidade de parar para recarregar.

Peso e volume das baterias

O tamanho das baterias impacta significativamente os limites de peso e espaço das embarcações, reduzindo a capacidade de carga e, portanto, seu potencial benefício.

Tempo de recarga

A recarga da bateria de um navio leva muito mais tempo do que o abastecimento com combustíveis fósseis, o que pode afetar os cronogramas operacionais e os custos do porto.

Desafios políticos e regulatórios:

Falta de normas internacionais claras

Ainda não existe uma regulamentação global unificada que exija ou incentive o uso de navios elétricos ou a implementação de uma infraestrutura verde nos portos. No entanto, alguns países já estão desenvolvendo seus próprios planos de ação para a descarbonização do setor.

Desigualdade entre países

Nem todos os países envolvidos no comércio marítimo internacional dispõem da mesma capacidade econômica ou tecnológica para investir em eletrificação, o que limita o progresso global.

Pressão regulatórias sobre operadores

Em alguns lugares, a legislação ainda permite o uso de combustíveis altamente poluentes sem uma precificação adequada por essa poluição.
 
No entanto, um marco histórico foi alcançado em 2025, quando um pacto global para combater as emissões de navios foi firmado após quase dez anos de negociações. Impulsionado pela Organização Marítima Internacional (OMI), o acordo abrange a grande maioria da navegação comercial global e prevê que, a partir de 2028, os armadores deverão usar combustíveis cada vez mais limpos ou estarão sujeitos a multas.

A notícia traz esperança para que todo o setor do transporte marítimo se comprometa seriamente e aposte firmemente na inovação e na reinvenção como caminho necessário para alcançar a sustentabilidade.