PARQUE EÓLICO 'OFFSHORE' DE SAINT-BRIEUC

Saint-Brieuc: o primeiro grande projeto de energia eólica 'offshore' da Iberdrola na Bretanha francesa

Com o início da fase de operação em 2023, o parque eólico terá capacidade total instalada de 496 megawatts (MW), energia suficiente para atender ao consumo de energia de 835.000 pessoas.

Localização
Baía de Saint-Brieuc (França)

N° aerogeradores
62 turbinas SG 8.0-167 DD

Distância
A 16 km da costa da Bretanha

Capacidade total instalada
496 MW

Investimento
2,4 bilhões de euros

Início da fase de operação
2023

Parque eólico offshore
Saint-Brieuc

A região da Bretanha é uma terra de fortes ventos e grandes marés, características que sempre determinaram a paisagem, a economia e a vida na região. Com a ideia de aproveitar todo o seu potencial energético, a empresa projetou o parque eólico offshore de Saint-Brieuc: o primeiro em grande escala de energia eólica offshore na Bretanha e um dos primeiros na França a conseguir todas as autorizações necessárias por parte das administrações para sua construção e operação.

Com investimentos de 2,4 bilhões de euros, o parque eólico terá uma produção de 1.820 gigawatts/hora (GWh) por ano quando iniciar sua fase de exploração em 2023, satisfazendo assim a demanda energética de 835.000 pessoas.

Isso será possível graças à capacidade total instalada de 496 megawatts (MW), distribuídos por 62 turbinas de 8 MW de potência. As turbinas serão instaladas por uma área de 75 km2, a cerca de 16 km da costa francesa.

O parque está sendo construído em colaboração com as empresas francesas RES e Caisse des Dépôts, ambas pertencentes ao consórcio Ailes Marines, propriedade da Iberdrola após a aquisição da totalidade de suas ações.

Quando entrar em operação, se converterá na quarta instalação desse tipo da companhia, depois da West of Duddon Sands, localizada no mar da Irlanda; Wikinger, no mar Báltico; e East Anglia ONE, um dos maiores parques eólicos offshore do mundo, situado na área sul do mar do Norte.

LOCALIZAÇÃO DO PROJETO

Parque eólico 'offshore' de Saint-Brieuc.#RRSSLocalização do parque eólico offshore de Saint-Brieuc.

EVOLUÇÃO DAS OBRAS

Em 2020, foi concluída a análise das condições técnicas e ambientais, graças à instalação de três sistemas de medição de vento na área onde está localizado o parque, que registraram durante dois anos o potencial eólico da região através do sistema LIDAR (Laser Imaging Detection And Ranging). Esse sistema utiliza tecnologia a laser para determinar de forma precisa a direção predominante do vento a fim de identificar a orientação mais adequada dos aerogeradores para obter o melhor desempenho energético possível.

A Ailes Marines também apresentou ao Comitê de Gestão e Acompanhamento os resultados dos estudos ambientais realizados, através dos quais se verifica que os impactos sonoros da perfuração são compatíveis com o ciclo de vida normal das espécies de peixes analisadas. Devido a essas análises, a Companhia decidiu abandonar a técnica de cravação por percussão a favor do método de perfuração para a instalação de estacas.

 Jaquetas

Saint-Brieuc terá selo espanhol, pois as jaquetasplataformas que sustentam os aerogeradores offshoree as estacas serão construídas e montadas inteiramente pela Navantia-Windar, em Fene (Corunha), onde será instalado um guindaste sobre esteiras de 1.600 toneladas para a montagem final, e Avilés (Astúrias), respectivamente.

Com um valor de 350 milhões de euros, é o maior contrato de energia eólica offshore da história da companhia de navegação, que criará mais de 2.000 empregos diretos e milhares de empregos indiretos.

Os trabalhos de montagem das fundações já foram iniciados após a chegada dos tubos estruturais aos portos de Ferrol e Brest. A montagem final de todos os subconjuntos será realizada nas instalações dos estaleiros galegos.

 Aerogeradores

A fabricação dos aerogeradores, de 207 metros de altura cada um, será custeada pela Siemens Gamesa Renewable Energy (SGRE). Contarão com a tecnologia de última geração direct drive e suas pás, de quase 82 metros de comprimento, oferecerão uma área de varrimento 18 % superior ao modelo anterior e uma melhoria na produção anual de energia de 20 % em relação à sua predecessora.

A montagem das torres, que demorará cerca de oito meses, será feita no novo pôlder do porto de Brest e significará a criação de nova capacidade industrial financiada com 11,8 milhões de euros. A construção desta nova usina iniciará no começo de 2022 e sua colocação em serviço está programada para o final desse mesmo ano.

 Subestação marítima

A subestação marítima foi adjudicada a uma joint venture formada pela Eiffage Métal e Engie Solutions. A primeira realizará a engenharia e construção tanto da fundação quanto do topside que abrigará os transformadores e restantes equipamentos elétricos, enquanto a segunda fará sua montagem e colocação em funcionamento.

A estrutura que suporta essa subestação é formada por uma fundação (jaqueta) de 63 metros de altura com um peso de 1.630 toneladas e um topside de 55 m de comprimento, 31 m de largura e 23 m de altura, com um peso total aproximado de 3.400 toneladas. A subestação será finalizada no começo de 2022.

A Iberdrola adjudicou à GE Renewable Energy Grid Solutions o fornecimento e a instalação dos principais equipamentos elétricos da subestação. A Companhia se encarregará de projetar, fabricar, instalar e colocar em funcionamento o equipamento elétrico de alta tensão, assim como o sistema de controle e proteção da subestação. Para tal, projetará e fabricará os comutadores com isolamento de gás (GIS) de 72,5 kV e 225 kV em sua fábrica de Aix-les-Bains (França). Está previsto que os testes de colocação em funcionamento dos equipamentos elétricos na subestação offshore sejam realizados ao longo de 2022.

 Transporte e instalação

Por outro lado, a companhia holandesa de serviços marítimos Van Oord se encarregará do transporte e instalação das 62 jaquetas e da subestação offshore. A Van Oord começará os trabalhos em alto-mar em 2021 com a instalação dos parafusos de fixação, para o qual utilizará seu navio de apoio em alto-mar, Aeolus, projetado especificamente para construir parques eólicos offshore, que receberá a ajuda de um segundo navio a partir de 2022.

 Cabeamento

Quanto aos sistemas de cabos de interconexão submarina, serão proporcionados pela Prysmian Group — líder mundial na indústria de sistemas de cabeamento de energia e telecomunicações com a qual Iberdrola já trabalhou na Wikinger e Vineyard Wind —, que instalará e colocará em operação 90 km de cabos de interconexão de corrente alternada de alta tensão de 66 kV e três núcleos com isolamento XLPE.

Após os testes realizados no verão de 2020, a Ailes Marines confirmou que enterrará todos os cabos entre aerogeradores, um grande passo para a segurança da navegação e para a manutenção das atividades pesqueiras dentro do parque. A entrega e colocação em funcionamento estão previstas para o final de 2022.

 Comunicação e coordenação

Por outro lado, um consórcio liderado pela Atos — em associação com a SeaRenergy, líder em engenharia, soluções offshore, QHSE e serviços de pessoal para o setor eólico offshore — se encarregará de implementar soluções críticas de comunicação, além de garantir as atividades de coordenação marítima.

Para isso, estabelecerá um centro de coordenação marítima na cidade costeira de Pleudaniel (França) para coordenar, monitorar e documentar todo o tráfego dentro e em torno da área de construção, durante 24 horas os sete dias da semana durante a fase de construção. Também haverá uma plataforma unificada de comunicações críticas que permitirá que os helicópteros, navios e equipamentos operacionais que trabalhem no parque estabeleçam comunicação entre si ou com o centro de coordenação, dentro e ao redor do parque.

Ambos os sistemas serão mantidos depois da fase de construção e apoiarão o parque eólico durante toda a fase operacional, quando as 62 turbinas estejam em funcionamento.